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Mais de quatro milhões de jovens desempregados desde 2007

25/05/2012

A taxa mundial de desemprego juvenil continua estancada no mesmo nível alcançado no ponto mais alto da crise econômica e não se espera que diminua até, pelo menos, 2016, sustenta a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no seu relatório Tendências Mundiais do Emprego Juvenil 2012. As projeções mostram que 12,7 por cento da força de trabalho juvenil do mundo estarão sem emprego este ano, uma taxa que permanece invariável desde o ponto mais crítico da crise em 2009, e um pouco superior aos 12,6 por cento do ano passado, afirma o relatório.

A taxa seria ainda mais alta se forem considerados aqueles que – com frequência desmotivados pela falta de perspectivas – abandonam ou adiam a busca de emprego. Este ajuste situaria a taxa mundial de desemprego juvenil em 13,6 por cento em 2011.

Em nível mundial, estima-se que haverá cerca de 75 milhões de jovens desempregados de entre 15 e 24 anos em 2012, um aumento de aproximadamente 4 milhões desde 2007. A taxa de desemprego terá uma pressão adicional quando os jovens que prolongam sua permanência no sistema educacional devido à falta de oportunidades finalmente entrarem no mercado laboral. “A crise do desemprego juvenil pode ser superada, mas somente se a criação de emprego para os jovens for convertida em uma prioridade essencial na tomada de decisões políticas, e se forem intensificados os investimentos do setor privado de maneira significativa”, declarou o Diretor Executivo do Setor de Emprego da OIT, José Manuel Salazar-Xirinachs.

“Isto envolve medidas que ofereçam facilidades fiscais e outros incentivos às empresas que contratem jovens; esforços para reduzir a defasagem entre as qualificações dos jovens; programas de capacitação empresarial que integrem a formação profissional, a orientação e o acesso ao capital; e a melhoria da proteção social destinada aos jovens”, acrescentou Salazar-Xirinachs.

Qual é o panorama regional?

Embora algumas regiões tenham se recuperado da crise econômica, ou pelo menos tenham conseguido atenuar seu impacto, todas enfrentam importantes desafios em termos de emprego juvenil.

·         Nas economias desenvolvidas, a situação é ainda pior do que a sugerida pela taxa prevista para este ano de 18 por cento de desemprego juvenil. Isto se deve à redução massiva da mão de obra.

·         Nos países da ex-União Soviética, na Europa Central e no Leste Europeu, a taxa de desemprego juvenil diminuiu levemente até 17,6 por cento em 2011. Ao contrário das economias desenvolvidas, as taxas de participação dos jovens parece ter aumentado devido ao fato que a crise econômica nesta região pode ser em parte motivada pela pobreza.

·         No Norte da África, o desemprego juvenil aumentou em 5 pontos percentuais depois da Primavera Árabe, deixando 27,9 por cento dos jovens sem emprego em 2011. No Oriente Médio, a taxa foi de 26,5 por cento.

·         Na América Latina e Caribe, a taxa de desemprego juvenil aumentou drasticamente durante a crise econômica, de 13,7 por cento em 2008 para 15,6 por cento em 2009. Diminuiu até 14,3 por cento em 2011, mas não se esperam progressos adicionais a médio prazo.

·         Na África Subsaariana, a taxa de desemprego juvenil, de 11,5 por cento em 2001, manteve-se relativamente estável desde 2005.

·         No Leste Asiático e na região do Pacífico, a taxa foi de 13,5 por cento em 2011, uma diminuição de 0,7 ponto percentual em relação ao nível de 2008.

·         Inclusive no Sudeste Asiático, talvez a região mais dinâmica do ponto de vista econômico, a taxa de desemprego era 2,8 vezes mais alta para os jovens do que para os adultos.

Outras conclusões importantes do relatório

·         Em nível mundial e na maioria das regiões, a crise teve um impacto maior sobre as taxas de desemprego das mulheres jovens do que dos homens jovens. Esta diferença foi especialmente evidente no Norte da África, enquanto que nas economias desenvolvidas o impacto foi maior para os homens jovens.

·         Muitos jovens estão presos em trabalhos temporários, de baixa produtividade e que não prometem melhores oportunidades. Nas economia desenvolvidas, os jovens realizam cada vez mais trabalhos temporários ou a tempo parcial, enquanto que no mundo em desenvolvimento muitos jovens realizam trabalho familiar não remunerado em empresas ou granjas (fazendas) familiares informais.

·         Os jovens que não trabalham nem estudam converteram-se em um motivo de grande preocupação, particularmente nas economias desenvolvidas. Este grupo com frequência representa pelo menos 10 por cento dos jovens e seu número aumentou rapidamente em muitas economias desenvolvidas.

A edição 2012 das Tendências Mundiais de Emprego Juvenil é publicada às vésperas do Foro Mundial sobre Emprego Juvenil (www.ilo.org/yef) , de 23 a 25 de maio, que reunirá cerca de 100 jovens de todo o mundo para discutir sobre trabalho decente. O emprego juvenil também terá um lugar de destaque na agenda da Conferência Internacional do Trabalho da OIT, em junho.

Fonte: www.oit.org.br

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