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Livro escolar defende erros de concordância

27/05/2011

Um livro de Português distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) está ensinando estudantes a falar errado, sem obedecer às regras de concordância verbal. O exemplar 'Por uma vida melhor', da coleção Viver e Aprender , foi adotado este ano por 4.236 escolas públicas em todo o País. Nele, os 484.195 alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) do EJA (Educação de Jovens e Adultos) aprendem que podem usar expressões populares, tais como "nós pega o peixe". Segundo o MEC, o título é usado em escolas públicas fluminenses.

A informação foi revelada pelo site iG. Os autores do livro defendem o uso da "norma popular da Língua Portuguesa", no lugar da norma culta. Heloísa Ramos, uma das escritoras, explica que as frases também podem ser ditas da seguinte forma: "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".

Segundo ela, basta que o artigo "os" esteja no plural para indicar mais de um referente. "A língua portuguesa admite esta construção", garante a autora, advertindo, no entanto, que dependendo da situação, o aluno corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico.

Em nota, o MEC afirmou que o livro atende à 'Matriz de Competências do Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos'. Entre elas, a de reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social e as diferentes variedades da língua portuguesa, procurando combater o preconceito linguístico. O volume da editora Global foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação do Rio, o exemplar não foi escolhido pelas escolas da rede. O Ministério não informou quais municípios do Rio adotaram a obra.

Efeito inverso ao propagado

Apesar de o governo propagar o uso da fala popular contra o preconceito, educadores alertam que a prática pode ter efeito inverso. "A sociedade não aceita a norma popular. O aluno que não aprende o certo será ridicularizado e vai virar motivo de chacota", alerta Alzira Batalha, professora da Faculdade de Educação da Uerj na Baixada.

De acordo com o MEC, a escola que oferece a modalidade de Educação de Jovens e Adultos deve propiciar aos alunos um ambiente acolhedor no qual suas variedades linguísticas sejam valorizadas e respeitadas: "Dessa forma, eles terão segurança para expressar a sua voz".

Para a educadora, livros como esse reforçam a exclusão social. "Nenhuma empresa vai contratar um funcionário que não souber falar corretamente. Ele vai continuar sendo discriminado como tem sido até hoje", avisa Alzira.

Fonte: O Dia – RJ/ Maria Luisa Barros

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