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Jovens fazem revoada de pipas para abrir festa literária em Goiás

27/05/2011

O tráfego pelas ruas estreitas e onduladas ainda é tímido. Um carro de som anuncia um leilão de um sítio para daqui a 15 dias. Nas ruas, o burburinho é comedido. Não parece, mas Pirenópolis - ou Piri, como a cidade é mais conhecida - está pronta para receber a terceira edição da Festa Literária (Flipiri). É com jeitinho calmo, tranquilo mesmo, que a cidade turística cujas ruas, calçadas e paredes aprisionam parte da história do país se organiza para cumprimentar visitantes, curiosos e, especialmente, artistas brasilienses, goianos, mineiros, cariocas e paulistas. Mas as crianças pirenopolinas também são estrelas.

Cerca de 100 delas, participantes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), com meninos de 6 a 14 anos, e do Pró-Jovem, de 15 a 17, foram convidadas pela prefeitura para uma tarefa especial: fabricar pipas e bonecos mascaradinhos, inspirados na figura do Mascarado, típica das Cavalhadas e mascote do evento, para enfeitarem o festival. De início, as pipas, programadas para ganharem os céus da cidade a partir das 16h de hoje, no Largo da Casa de Câmara e Cadeia, levariam inscrições com textos de Cora Coralina, escritora homenageada na atual edição. Não deu tempo. Mas elas estão prontas para serem soltas, com mais 300 outras vindas das escolas municipais. As crianças do Peti não veem a hora de correr e lançar suas criações no ar.

Ana Carolina de Souza, 12 anos, acha que as oficinas animaram os colegas. "Aprendi muita coisa aqui. Foi um incentivo legal para todo mundo", diz a estudante do 8º ano do ensino fundamental. A inquieta Ana Vitória, 10 anos, é tímida na hora de falar. "Nem sei o que dizer sobre hoje. Mas achei tudo muito legal", resume a aluna do 5º ano. Num ensaio rápido do que será feito hoje à beira do lago, uma dúzia de crianças invadiu o gramado em frente à igreja de Nossa Senhora do Rosário. No rosto de cada uma, alegria e orgulho de ver parte de si voando pelo céu.

Aprendizagem

O artesão Hudson Conceição, 36 anos, morador do Centro Histórico, foi quem ajudou as crianças nesse desafio. As aulas começaram no fim de abril e vão até amanhã, porque as últimas turmas ainda precisam terminar seus mascaradinhos. Foram 58 horas de ensino. E Hudson nem cogita reclamar do cansaço. "Se eu posso trabalhar duas horas com elas, já fico feliz. Posso, assim, passar alguns valores. Para mim, foi fantástico. Futuramente, elas poderão usar isso para outras coisas, para dar de presente ou mesmo para vender. São crianças que às vezes vivem outra realidade em casa. Elas precisam de carinho, de alguém que lhes conte histórias", emociona-se.

Após a revoada inaugural, cada menino e cada menina poderão levar a pipa para casa. Eles talvez sejam ainda muito pequenos para entender, mas deixaram uma contribuição pessoal na história recente de Pirenópolis, lugar em que a memória está estampada em todos os cantos. "Traz integração forte da comunidade com o meio intelectual. É o encontro delas com a palavra, a poesia. Isso tudo mexe com o valor da cultura local", acredita Hudson. "Algumas delas, antes das oficinas, nunca tinham ouvido falar da Cora (Coralina)", completa.

Flipiri itinerante

Durante a festa, escolas da região, que totalizam aproximadamente 5.600 alunos e 230 professores, inclusive de povoados distantes do Centro Histórico, receberão a visita de escritores, na iniciativa chamada Flipiri Itinerante. A novidade desta edição é a inclusão de turmas do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Fonte: Correio Brasiliense/ Felipe Moraes

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