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Hip-hop é instrumento político e social na Colômbia

27/05/2011

Um grupo de jovens colombianos afrodescendentes e mestiços que, através do hip-hop, busca melhores oportunidades de vida e estimula o ativismo como forma de conquistar direitos. É assim que a Fundação Artística e Social da Família Ayara (FA) atua, há quinze anos, em Bogotá, na Colômbia. "Desde o início, (...) usamos as escolas do hip-hop e da arte urbana, (...) para construir uma nova sociedade”, afirma Diana Katerine Ortega, coordenadora de redes da FA, em entrevista ao site Comunidade Segura.

A ideia de trabalhar com hip-hop como forma de organização juvenil surgiu a partir da venda de roupas desse estilo com um design à moda colombiana. Com o sucesso da roupa Ayara, percebeu-se que o pano de fundo dessa história era, na verdade, a conquista de um espaço de participação e ação na sociedade para os jovens, particularmente, os afro-descendentes e mestiços, reconhecidos como os mais tradicionalmente excluídos no país.

Para Diana Ortega, o hip-hop tem enorme potencial como ferramenta de construção social, o qual já é amplamente reconhecido, pois utiliza uma linguagem que a juventude entende. As músicas, por exemplo, falam de consciência social e transmitem mensagens que alertam para os riscos de uma vida ligada à delinquência e as drogas.

Hoje, o projeto já beneficia 1.500 pessoas diretamente e mais outras 10 mil indiretamente. A atuação da FA consiste em realizar oficinas artísticas e de orientação psicossocial. "Capacitamos os jovens envolvidos em liderança, influência política e empreendedorismo, para criar alternativas à violência e à exclusão social”, explica a coordenadora.

A Família Ayara conta, ainda, com um centro cultural com salas para oficinas, seminários e fóruns de cinema; uma galeria de arte urbana; estúdios de gravação musical e edição de vídeo; e um Observatório Juvenil de Boas Práticas, dedicado à documentação, multiplicação e fortalecimento de iniciativas de jovens que usam a arte e a cultura para a construção da paz e de uma democracia participativa.

Na Colômbia, os líderes da Fundação foram os pioneiros do hip-hop. A Família Ayara é ainda a primeira organização feita por e para hiphopers no país, que gerou uma indústria e abriu escolas de formação para as expressões artísticas desta cultura. Grupos como Choc Quib Town, Voodoo Soul Jah’s, Midras Queen, Sofos Len, Tercera Cuadra, Carbono surgiram a partir do apoio da Ayara.

Das intervenções políticas que contaram com o envolvimento da FA, estão: políticas públicas para a juventude, orçamento participativo em Medellín, Cali e Buenaventura, participação nas mesas consultivas e assessoras de instituições como Ministério da Cultura, ONU Habitat, dentre outros.

A Fundação Ayara atua também na articulação de organizações juvenis nacionais e internacionais, através da Plataforma Global de Organizações. Desenvolvida desde 2008, a Plataforma foca em temáticas relacionadas com segurança, participação e fortalecimento do estado social de direito. "Temos as soluções, a capacidade e a responsabilidade de mudar positivamente este mundo”, acredita Diana Ortega, que, além de ser coordenara da FA, é uma jovem de 23 anos.

Mais informações em: http://www.ayara.org/

Fonte: Comunidade Segura

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