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Gravidez da adolescência na periferia: desinformação ou exclusão social?

17/04/2017

A gravidez na adolescência está ligada à desinformação ou existem lógicas sociais que levam estas jovens a serem mães tão precocemente?

Para responder esta complexa questão, duas alunas da Escola Lourenço Castanho - Eloísa Maria de Souza Falcão e Maria Luiza de Oliveira Jorge, da 3ª série do Ensino Médio – desenvolveram o projeto "Gravidez e maternidade na adolescência: mobilidade social e sociabilidade local na periferia de São Paulo".

O projeto foi finalista da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), na área de Ciências Humanas, realizada na Universidade de São Paulo, no último dia 23 de março. A pesquisa teve orientação pelo professor de história Ednilson Aparecido Quarenta.

Assista ao vídeo do projeto

Para Eloísa, entrevistar as adolescentes grávidas e as mães adolescentes foi a parte mais importante e enriquecedora da pesquisa. “É muito legal trabalhar com gente. Conhecer a casa e a realidade dessas meninas enriqueceu mais o trabalho. Esse é o diferencial de fazer um trabalho de Ciências Humanas, que trabalha de fato com seres humanos e não apenas com revisão teórica”, diz Eloísa.

Na apresentação do projeto, as estudantes relatam que a pesquisa nasceu do "anseio de trabalhar com as áreas afastadas do centro na cidade de São Paulo" e a opção de estudar as adolescentes se deu porque elas são parte de "um grupo vulnerável a diversas formas de opressão".

Na opinião das alunas da Lourenço Castanho, "há uma preponderância de discurso que insere a gestação adolescente unicamente nas perspectivas patológicas e relacionadas à desinformação".

Em função desta percepção, Eloísa Maria e Maria Luiza resolveram aproximar as ciências sociais e humanas das discussões da saúde. Neste sentido, a "gravidez foi analisada sob as óticas da mobilidade social e sociabilidade local, a fim de compreender o que pensam as adolescentes grávidas sobre a sua própria gravidez".

As estudantes alunas fizeram uma pesquisa de campo, com entrevista com 30 adolescentes grávidas e mães adolescentes nas UBS Jardim Vera Cruz e Paraisópolis, ambas assistidas pelo Programa da Saúde da Mulher.

As duas alunas da Escola Lourenço Castanho ressaltam que o trabalho teve também como finalidade "orientar um novo olhar para as políticas públicas voltadas à saúde, que evidencie a experiência de vida e a memória social dessas meninas".

Confira as conclusões do projeto no vídeo

A 15ª edição da Febrace selecionou 346 projetos entre mais de 2100 inscritos. Cerca de 760 estudantes do ensino médio, orientados por 484 professores, mostraram projetos nas áreas de Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra, Humanas, Sociais e Aplicadas, além da Engenharia.

Leia a reportagem especial sobre a Febrace no Jornal da Ciência, da SBPC

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