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Estudantes sugerem que governo amplie debate com professores e movimento LGBT

30/05/2011

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) sugeriu que o governo federal amplie o debate sobre o kit anti-homofobia com o Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), com a Confederação dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e com a própria Ubes. Para o presidente da instituição, Yann Evanovick, o kit é uma boa ideia para combater o preconceito, mas o conteúdo que foi produzido não é o ideal.

“Se a sociedade está questionando, é porque existe alguma falha. É preciso rever isso para que as pessoas não se escandalizem”, disse Evanovick em entrevista ao Portal IG. Ele avaliou que o material, se revisado, será eficaz no combate ao preconceito nas escolas e afirmou que muitos alunos deixam de estudar por causa do bullying. “Todo instrumento que o Estado use para combater o preconceito, seja por racismo, seja contra homossexuais, é bom”.

Evanovick avaliou que o kit contra homofobia tem potencial para combater o preconceito, mas que o conteúdo produzido não é o ideal. Por isso, a Ubes apoiou a presidenta Dilma Rousseff de suspender a distribuição do material nas escolas públicas de ensino médio.

“Assisti aos vídeos. Um deles, no qual o rapaz é bissexual, passa uma mensagem que levaria pessoas que ainda não estão decididas sobre sua sexualidade a adotar o bissexualismo”, disse Evanovick.

A avaliação segue a linha da critica da presidenta Dilma Rousseff, que suspendeu o material na última quarta-feira (25/5). Para ela, a fala de um personagem do vídeo “Probabilidade” sobre o fato que seu interesse em ficar com meninos e meninas dobraria sua chance de encontrar alguém, sugere que bissexualidade seja a melhor opção e não cumpre o objetivo de combater a homofobia. A avaliação da presidenta foi reportada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista ao UOL.

“A presidente entendeu que esse material, na opinião dela, não combate a homofobia. Ela entende que ele não foi desenhado de maneira apropriada para promover aquilo que ele pretende que é o combate à violência, a humilhação e a evasão desse público da escola”, disse. Ele afirmou que o kit anti-homofobia deverá estar pronto ainda neste ano para distribuição em 6 mil escolas e que não haverá custos adicionais.

Dilma disse ao Portal IG que não aceita "propaganda de opções sexuais”. “Não podemos intervir na vida privada das pessoas", afirmou durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, na última quinta-feira (26/5). A presidenta disse, ainda, que o governo defende a luta contra práticas homofóbicas. “O governo pode, sim, ensinar que é necessário respeitar a diferença e que você não pode exercer práticas violentas contra os diferentes.”

Ela pediu a criação de uma comissão na Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República para avaliar qualquer material que seja produzido por ministérios “que dialoguem com questões relativas a costumes”, segundo o UOL.

Contraponto

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL), assumidamente gay e um dos maiores defensores das causas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Transsexuais) na Câmara, discordou da decisão de Dilma Rousseff. “Achei precipitado a presidenta tomar uma decisão sem ouvir os atores em questão. Ela devia ter conhecimento de todos os pareceres favoráveis ao projeto. Os pareces da Unesco, do Conselho Federal de Psicologia, da UNE, e do próprio Conselho de Classificação Indicativa. Não é possível que essas instituições estejam erradas”, avaliou em entrevista ao IG.

Wyllys diz que a bancada evangélica, com o apoio de “setores da imprensa”, detonou uma “histeria coletiva sobre o tema”, por conta da “maneira mentirosa” como a proposta do kit contra a homofobia foi apresentada à sociedade. “[O deputado] Garotinho e companhia apresentaram um material do Ministério da Saúde para a redução de danos entre travestis como se fosse o projeto Escola sem Homofobia. Isso é agir de má fé”.

Ele acredita que a reação da bancada evangélica tem um alvo: o PLC 122 (que criminaliza a homofobia). “Essa campanha já está em curso. Tentam criar uma onda de terrorismo, uma histeria coletiva, como fizeram no segundo turno das eleições.”

Wyllys avaliou que o governo cedeu a pressão da bancada evangélica. “Ficou muito mais fácil de chantagear a presidenta” uma vez que parlamentares contrários ao projeto ameaçaram convocar o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, para dar explicações sobre o aumento do seu patrimônio na Câmara dos Deputados.

O kit anti-homifobia seria distribuído para alunos do ensino médio, professores e monitores e seria composto por cartilhas e vídeos, com um  manual de uso. As escolas não seriam obrigadas a receber o kit.

*Com informações do UOL, do IG e da Folha Online.

Fonte: Aprendiz

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