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Especialistas em educação participam de seminário internacional em Brasília

27/05/2011

Especialistas de Brasil, Índia, Coreia do Sul, Estados Unidos e Argentina, reunidos em Brasília desde ontem para  o Seminário Internacional Educação e Desenvolvimento – Integrando Políticas, debatem o papel da educação na promoção do desenvolvimento e no combate às desigualdades sociais.

Um dos objetivos do encontro é responder ao atual momento da economia brasileira, que cresce a taxas elevadas mas precisa que a educação seja um de seus componentes estruturantes, diz Wagner Santana, oficial de projetos de educação da UNESCO e coordenador do seminário. “Procuramos reunir representantes de países que vivem ou viveram experiências semelhantes à nossa, com o objetivo de compartilharmos dificuldades e soluções”, afirma.

Ele cita com exemplo positivo a Coreia do Sul, que implementou um conjunto de medidas relacionadas a valorização docente, construção de um modelo de ensino inclusivo e formação para o mundo do trabalho.

“Dentro desse pacote coreano, tem aumento nos investimentos, mas também tem uma visão estratégica de integrar as políticas educacionais às de desenvolvimento. E, no Brasil, nós ainda pensamos isso de forma muito isolada”, avalia.

Na abertura do evento, um dos temas mais destacados foi a necessidade de se investir na qualidade da educação. A presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, comparou o Brasil a um espadachim, que tem de lutar com vários problemas ao mesmo tempo, "com a tarefa não cumprida e com os novos desafios".

A grande maioria das crianças está na escola, observou Viviane Senna, o que é um grande avanço, mas quando chegam ao fim do ciclo escolar ainda não estão bem preparadas. "O grande desafio é unir quantidade e qualidade", comentou.

O representante-adjunto da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, apresentou diagnóstico semelhante: muito ainda precisa ser feito, especialmente no que se refere ao acesso à educação de qualidade.

O coordenador da ONU e do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, observou que a dimensão do debate mudou, o que é bom. Ele mencionou um evento de que participou na Turquia, há 20 anos, com tema igual ao desta semana, mas que contou com apenas cinco horas de debate — e não três dias, como o evento desta semana. “Naquela época, em cinco horas de debate, achava-se que boa parte dos problemas poderia ser discutida em pouco tempo e que o fundamental era aumentar a oferta de educação — construir escolas, contratar professores, incentivar os pais a enviarem seus filhos à sala de aula. Hoje, o debate está mais complexo, e não se limita a dinheiro ou ampliação do número de escolas”, lembrou.

Essa complexidade se reflete no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Ao comemorar 20 anos de existência, o Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD trouxe, no final do ano passado, inovações e novas propostas de acompanhamento da educação, um dos pilares do indicador. “O índice, que antes media o nível de acesso à escola e o nível de analfabetismo, agora segue critérios mais complexos, como a média de anos de escolaridade e os anos esperados de estudo”, disse Chediek. Em termos práticos, segundo ele, isso demonstra que o acompanhamento e a evolução das políticas de educação tornaram-se desafios mais complexos do que eram há duas décadas.

"Espero que, durantes estes três dias de debate, possamos gerar respostas traduzíveis em compromissos políticos e financeiros de longo prazo, para termos as políticas educativas de que o país precisa”, afirmou, destacando que o tema precisa ser inserido numa dimensão social maior — se os pais não têm compromisso com a educação das crianças, por exemplo, os resultados não serão tão eficientes como poderiam ser. "A boa notícia é que, no Brasil, o Sistema ONU e o governo têm trabalho juntos em projetos que mostram que é possível melhorar a qualidade da educação. Ou seja, o desafio não é impossível".

Também participaram da mesa de abertura o diretor de Estudos e Políticas Sociais do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Jorge Abraão, Elba Barretto, da Fundação Carlos Chagas, e representantes do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Inovação

Na quarta, o destaque será a indiana Preet Rustagi, do Instituto de Desenvolvimento Humano de Nova Déli, Índia, que vai falar sobre educação e desenvolvimento humano, social e econômico. No mesmo dia, o professor norte-americano John Bishop, da Universidade de Cornell, Estados Unidos, fará uma análise das experiências de nações como Estados Unidos, Índia e Coreia do Sul.

O último dia do seminário contará com a presença de Romualdo Portela, professor de política educacional da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), que apresentará os resultados de um estudo inédito sobre o papel atribuído à educação em programas do governo federal, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Fundo Social do Pré-Sal, e o Plano de Desenvolvimento da Educação.

O especialista cita algumas áreas nas quais o país tem apresentado bom desempenho justamente por conta de investimentos em inovação, como aeronáutica, agricultura e prospecção em águas profundas. Porém, ele acredita que a presença da educação no conjunto das iniciativas governamentais ainda está muito ancorada no discurso, sem se materializar em ações.

“Falta uma visão de crescimento que vá além da capacidade produtiva e contemple a inclusão social e a cidadania, por exemplo”, afirma. “Não é mais possível, no mundo globalizado, obter desenvolvimento sem investir em educação, pois o maior valor agregado na economia de hoje é o conhecimento.”

Fonte: PNUD

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