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Reflexões juvenis: família e espaços de convivência

22/09/2011
Casa, bairro, escola, trabalho. Quais são os espaços de vivência e convivência do jovem?

No último dia 1º/09, cerca de 20 jovens do Programa Educar participaram de mais uma oficina Onda Jovem. Em meio aos debates e a série de atividades e jogos cooperativos, muitas reflexões sobre família e espaços de convivência.

Fato incomum nas experiências Onda Jovem com a dinâmica Encrachando, a referência mais recorrente citada pelos jovens foi a família. A atividade propõe que os participantes citem um ídolo ou alguma personalidade com a qual se pareçam. No Educar, a maioria dos jovens citou seus pais, mães ou outros familiares. Esta atividade de abertura deu o tom do que seria o dia de trabalho.

A oficina aplicada nesta oportunidade foi a batizada de Percepção do Território, contudo, o tema família – foco de outra oficina realizada na mesma organização – foi muito citado nas primeiras atividades. “Os temas trabalhados nas oficinas Onda Jovem acabam se cruzando, mas, de qualquer forma, foi uma surpresa os jovens terem citado tanto a importância de seus familiares logo no começo do trabalho”, explica Marta Medeiros da equipe Onda Jovem.

Uma das leitoras do portal Onda Jovem já havia comentado a importância do tema família na formação dos jovens. “Sou professora há 25 anos, trabalho com um grupo de jovens, e nunca senti tanta distância do jovem em relação à família e a Deus como agora. Os valores se perderam e as identidades fragilizaram-se de uma forma assustadora. Os jovens pedem ‘socorro’ através das atitudes mal interpretadas pela sociedade.”

Um dos objetivos das oficinas Onda Jovem é fazer com que o jovem reflita temas de fundamental interesse para sua vida atual e para sua trajetória até a idade adulta. Tudo isso acontece por meio de jogos cooperativos e dinâmicas de forma, muitas vezes, indireta. Além das reflexões sobre família, o dia de atividades colocou em pauta o tema territórios.

 

Casa, bairro, escola, trabalho. Quais são os espaços de vivência e convivência do jovem?

A dinâmica escolhida para introduzir o tema territórios com a turma foi a "Fantasia Dirigida Viagem no Espaço". Essa atividade convida os participantes a fecharem os olhos para sonhar caminhos que vão sendo ditados pelo educador.

“Como a proposta era falar de territórios, montamos um roteiro que passava pelos principais pontos de vivência de um jovem. Voando na imaginação, eles observam como são estes locais. Depois, no debate, exploramos o que eles viram e o que gostariam de ver nestes espaços”, relata Luciana Gil da equipe Onda Jovem.

Josimara Pereira, uma das jovens participantes, descreve a experiência. “Adorei ver meu bairro de cima. Além disso, foi gostoso imaginar para onde eu iria se pudesse voar.” Quando o assunto volta para realidade a estudante descreve o que mudaria na sua região. “Gostaria que diminuísse a questão da criminalidade.”

Outros jovens, após contarem seus sonhos, entraram com tudo na discussão sobre o que há de melhor e o que merece mudança em seus territórios. “No meu bairro o grande problema é a questão do transporte. Chego a demorar duas horas para chegar aqui no Programa Educar”, contou Alisson Medeiros.

“Eu gostaria de ver mais área verde no meu bairro. Também seria bom ter mais espaços de lazer. Hoje, acabo indo para o SESC ou para o Parque Ibirapuera, lugares que nem são tão perto da minha casa”, disse Marcos Paulo Gomes.

A oficina terminou com uma atividade de localização no mapa da cidade os locais que a turma costuma frequentar. O grupo se mostrou muito interessado com a atividade e com a descoberta de pontos geográficos da cidade. “Essa atividade ajuda a entender como esses jovens vivem e exploram a cidade. No caso do Projeto Educar, diferente de outros grupos, chamou a atenção o fato de estes adolescentes conhecerem bem a cidade. Muitos circulam por diversos bairros do município, o que pode significar certa maturidade e curiosidade em explorar o novo”, analisa Marta Medeiros, da equipe Onda Jovem.

 

Atividade leva jovens para uma viagem na imaginação


Jovens relatam como foi participar da atividade “Viagem no espaço”, técnica de indução que leva os participantes a sonharem de acordo com as orientações do educador.

 

“Tive uma sensação muito boa quando me imginei chegando em chegando em casa. Minha família estava toda reunida e depois dessa visita fui diretamente para uma praia deserta.”

“Flutuei por várias paisagens lindas. Lembro de ter visto minha sobrinha. A sensação de voar é muito boa.”

“Na minha imaginação apareceu uma professora da minha 4ª série [do ensino fundamental]. Além disso, voei por lugares desertos, com casas velhas em estilo faroeste.”

“Foi emocionante. Vi meu avô, que já faleceu, assim que cheguei em casa.”

“No meu passeio eu acabei indo à escola em que estudei e encontrei minha professora, a Lurdinha. Ela disse para eu sempre correr atrás do meu sonho e que eu vou conseguir.”

“Na minha viagem passei por vários lugares. Na minha casa não tinha ninguém. A escola também estava vazia. Depois ui para um deserto.”

“Flutuando, cheguei na minha casa. Vi meus avós e depois os levei para conhecer a Itália, porque eles são descendentes de italianos. Foi legal lembrar deles, já que eles já faleceram.”

“Fazer essa atividade foi muito bom. Senti leveza, emoção e saudade. Reencontrei minha mãe, que eu não vejo há quatro anos.”

“Minha sensação foi de completa liberdade. Voando, senti que só precisava se preocupar comigo mesma.”

 

Os relatos acima fazem parte da reflexão da dinâmica Fantasia Dirigida. Com base nos elementos da descrição sobre a experiência de voar por lugares conhecidos e desconhecidos, o educador que estiver conduzindo a atividade pode estimular debates sobre a importância da família e sobre os locais que os jovens conhecem e gostam – assim como os espaços que ainda desejam conquistar.

 

>> Confira aqui o roteiro completo da oficina.

>> Não deixe de acessar o ensaio fotográfico realizado no Projeto Educar.

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