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Juventude, família e vínculos em debate

08/08/2011
Oficina Onda Jovem no IPP discute o papel da família durante a transição da adolescência pra a idade adulta.

A família é uma instituição em constante transformação. Exerce grande influência na formação da identidade do jovem e nas escolhas de vida do sujeito. Estas reflexões marcaram a oficina Onda Jovem realizada no Instituto Profissionalizante Paulista (IPP), no dia 12/07. Batizada de "Famílias e escolhas juvenis - De onde eu venho e para onde eu vou", a oficina contou com a presença de 26 jovens.

O IPP é uma organização social, fundada em maio de 2004 pelo Rotary Club São Paulo. A entidade tem como objetivo selecionar, preparar e qualificar jovens de 14 a 22 anos para ingressarem e permanecerem no mundo do trabalho. Atualmente, conta como uma rede de empresas parceiras que ajudam a manter as atividades da entidade e empregam centenas de jovens na posição de aprendiz. E, nas atividades de formação, o tema família é considerado assunto transversal, que permeia muitas atividades.

A proposta da equipe Onda Jovem para a oficina foi debater os significados e quatro pilares que sustentam as relações do jovem com seu núcleo familiar. Em tempos de plena transformação das estruturas familiares, esta célula social permanece fundamental para o desenvolvimento do ser humano.

“Os temas propostos por Onda Jovem são totalmente relevantes. Os jovens estão em uma busca constante por novas ambições. É uma fase quando eles, muitas vezes, negam os valores da família para conquistar sua própria ideia de liberdade. Mas, não existe construção de liberdade sem a relação com o outro”, avalia educadora Elisa Cristina Mendes Seixas.

Liberdade realmente parece ser um ponto de conflito dentro de casa. Durante a aplicação das atividades e jogos cooperativos, o tema liberdade surgiu várias vezes. “Acho que o principal problema na relação dos jovens com suas famílias é a falta de liberdade. Os pais tem medo de soltar os filhos e nós queremos conquistar nossa independência”, comentou Eduarda Pasquale, 18.

Na atividade Guerra e Paz o tema diálogo ganhou destaque. Negociação parece ser a chave para um bom relacionamento. “Tem que haver diálogo”, garante Chamilla Bronze, 17. “Muitos pais quase não falam com seus filhos e aí começam as divergências”, complementou Eduarda. “Uma família desequilibrada, sem união, é uma barreira para o jovem”, concluiu.

 

Jogos cooperativos estimulam reflexões

As dinâmicas e jogos cooperativos selecionados para a oficina, além de relaxar e motivar o grupo, provocaram debates sobre o tema proposto. A atividade João Confiança fez sucesso entre os alunos. “Assim como acontece no jogo João Confiança, a família é quem nos dá apoio pra gente não cair”, comentou o estudante Denis Reis, 20 anos.

Outra dinâmica aplicada, chamada Travessia, mostrou a importância do trabalho em grupo, da divisão de tarefas e da cooperação – confira estas atividades e outras propostas na seção OFICINAS aqui no Portal Onda Jovem.

 

Falta diálogo entre pais e filhos

Os conflitos geracionais variam de acordo com o número de pessoas que constituem a família, a classe social, a cultura regional, a escolaridade e as condições de trabalho dos membros. Contudo, de acordo com os relatos dos jovens, eles estão sempre presentes na rotina familiar.

Denis Reis, 20 anos, acredita que sobram dúvidas e conflitos, mas faltam tempo e disponibilidade para a conversa. “O problema está na falta de diálogo. Existem muitos assuntos que são tabus, como sexo e drogas, por exemplo. Mas o que não se discute em casa, o jovem busca na rua.”

A rotina agitada das famílias modernas, com toda a diversidade de compromissos de pais e filhos, acaba afetando o relacionamento familiar. Parece faltar tempo para o diálogo. “Acho que a correria do dia a dia atrapalha muito. As famílias acabam conversando pouco. Muitos pais saem de casa, quando os filhos ainda estão dormindo, e voltam só à noite”, analisa Marcela Carvalho.

Contudo, apesar dos conflitos, os adolescentes destacaram a importância de família para seu próprio desenvolvimento. “A família é onde buscamos força. E para a convivência ser boa é preciso entender as diferenças. Cada pessoa tem seus pontos de vista”, comentou Luana Pereira, 18.

Para Luciana Gil, da Equipe Onda Jovem, o debate foi muito rico. “Os jovens podem não ter a total consciência da importância do relacionamento familiar, e muitas vezes nem os familiares têm, mas a família é a conexão do jovem com o passado e uma das pontes dele com o futuro. Essa relação diz muito de quem ele é e de quem ele poderá vir a ser.”

Em depoimento à Onda Jovem (publicado em matéria da edição 10), Maria Ângela Santa Cruz, do Instituto Sapientiae, analisa o tema. “A família é um forte referencial para os jovens, e sua importância não se mede pela calmaria ou falta de conflito. Contraditoriamente, ela não tem a exata dimensão de sua própria importância e dos efeitos que exerce sobre o jovem, em função da forma como o enxerga e lida com ele.”

“Testar os planos de aula, as dinâmicas e os jogos cooperativos nessa oficina foi uma experiência muito rica. Percebemos que o tema é latente entre os jovens. É importante abrir este canal, seja na escola ou em organizações sociais, para debater os conflitos, as expectativas juvenis. A tarde de trabalho mostrou que o diálogo qualificado parece ser a chave para uma boa relação. As famílias precisam provocar momentos de interação”, conclui Marta Medeiros, da Equipe do projeto Onda Jovem.

Por Rodrigo Bueno / Equipe Busca Jovem

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