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Um novo olhar sobre a família e a comunidade

05/08/2011
Oficina Onda Jovem trabalha os temas 'família' e 'território' com jovens do Projeto Anchieta.

“De onde eu venho e para onde eu vou?”. Dispostos a continuar na busca por caminhos que levem a possíveis respostas a este questionamento, jovens integrantes do projeto Anchieta participaram, no dia 1º de julho, de mais uma aplicação das oficinas Onda Jovem.

Partindo de um olhar sobre as diferentes configurações de famílias hoje existentes e de conceitos de territorialidade, o grupo de adolescentes foi convidado a refletir sobre suas origens, suas relações familiares e a forma como interagem com seus espaços de convivência. O objetivo era ajudar os jovens a entenderem os conceitos de espaço social, a forma como se percebem neles e o que gostariam de mudar.

As discussões em torno das temáticas família e território já haviam marcado as atividades propostas em outras duas oficinas realizadas com o grupo, por isso neste terceiro encontro os jovens se mostravam mais à vontade para conversar sobre o assunto.

Confira como foi a oficina sobre família e a oficina sobre território no Projeto Anchieta

 

Bate-papo com a comunidade

Ao término da última oficina realizada no Anchieta, os adolescentes foram orientados a desenvolverem uma atividade extraclasse associada ao tema. Deste modo, após o aquecimento inicial, os jovens se organizaram em grupos para apresentarem o resultado da tarefa proposta na oficina anterior cuja temática foi territórios.

“O desafio proposto era entrevistar pessoas da comunidade sobre a forma como se relacionam com os locais em que vivem”, comenta Luciana Gil. “E com base nesses depoimentos, motivar o jovem a traçar paralelos com suas próprias visões em relação a esses espaços de convivência."

As impressões apontadas durante os relatos mostraram ao grupo de alunos a convergência para um ponto em comum entre os entrevistados: o anseio por melhores condições de transporte e segurança no bairro, e para a necessidade de ações de combate às drogas. “Foi uma surpresa para mim saber que tantas pessoas têm uma visão ruim do bairro, pois eu gosto daqui e acho que existem coisas boas”, disse o estudante Everson Souza Nonato.

Todos esses relatos, somados aos apontamentos feitos pela Equipe Onda Jovem, deram subsídios para o debate de melhor reconhecimento da região, que contou ainda com a Dinâmica dos Mapas associada à atividade.

“Procuramos mostrar a eles que o local onde vivem também tem pontos positivos. O fato de Grajaú ser considerada uma área de proteção ambiental, o que resulta em melhor qualidade climática para os moradores, é um bom exemplo disso”, afirmou Marta.

 

Com que roupa eu vou

Na segunda etapa da oficina o grupo foi orientado a sentar, em círculo, para que fosse iniciada uma nova dinâmica: o Baile de Fantasias. Nesta atividade, cada integrante da sala deveria imaginar que recebeu o convite para um baile a fantasia, mas para participar, teria de informar a fantasia que usaria e o porque desta escolha. De acordo com Luciana, o propósito dessa dinâmica é trabalhar a autopercepção e compartilhar a percepção que se tem do outro. “Será que todo mundo nos enxerga como nós mesmos nos enxergamos?”, questiona. O resultado final da atividade mostraria que não.

Um a um, alunos e educadores foram revelando suas escolhas e as razões que os haviam motivado a elas. Teve um pouco de tudo, de super-herói como o Batman, a personagens de histórias infantis como Chapeuzinho Vermelho, passando ainda por bruxas, fadas, vampiros entre outros. Após cada um dizer seu próprio traje, os adolescentes tinham, então, que escolher novas fantasias, desta vez, para os colegas. E as escolhas em muitos casos, surpreendiam, surgindo até comentários como: “nossa, não imaginava que você me visse dessa maneira”.

“Essa troca de papéis é importante pois ajuda a revelar diferentes percepções em relação a um mesmo ser: a que a pessoa tem de si própria, ao escolher o traje que usaria, e a visão dos outros ao indicarem novas fantasias”, explica Luciana. “O fundamental aqui é percebermos que a cada momento estamos fazendo escolhas e elas podem dizer muito sobre nós mesmos.”

 

Identificando sonhos

A atividade seguinte – chamada de Foto-Identificação –, proposta pela Equipe Onda Jovem, viria dar continuidade à reflexão sobre percepções e auto-imagem, iniciada com a simulação do baile a fantasia.

No centro da sala dezenas de fotos representando pessoas em situações diversas do cotidiano foram espalhadas aleatoriamente no chão. Os jovens deveriam, então, selecionar em meio às diversas opções de imagens, duas com as quais se identificassem de alguma forma.

Escolhas feitas, o grupo se reuniu em círculo novamente, disposto a conhecer o que aquelas fotos representavam para cada um dos participantes. Os motivos apresentados foram os mais variados possíveis, mas revelavam, nas entrelinhas, muito dos sonhos, anseios e aspectos da personalidade de cada um dos presentes. O desejo de ter uma esposa aguardando em casa; a importância do carinho da família; a alegria do convívio com os amigos; e a busca por um pouco de paz são alguns dos aspectos destacados pelos jovens.

“A dinâmica fez com que os alunos percebessem, que apesar de estarem juntos diariamente, há muito sobre a personalidade e as expectativas do colega que eles desconhecem”, comenta Marta.

 

Para onde eu vou

Depois de estimular os jovens a olharem para dentro de si mesmos, a ideia foi explorar como cada um se vê em seu meio social e em seus espaços de convivência. Para isso, a Equipe Onda Jovem propos uma nova atividade voltada, agora, a ampliar a consciência em relação à organização social do lugar onde os alunos vivem e da posição deste no país e no mundo.

Divididos em grupos, cada equipe tinha como tarefa responder uma série de perguntas sobre sua relação com o meio que o circunda e sobre o que esses espaços de convivência têm a oferecer. Uma reflexão em torno das respostas apresentadas fechou a atividade.

 

Lições aprendidas

Finalizado o dia de trabalho os jovens relataram como foi a experiência de olhar de forma diferenciada para sua comunidade. A aluna Michele Silva comentou que o trabalho a ajudou a ver outras coisas interessantes no bairro. Everson Souza Nonato reforçou que tem orgulho de morar no Grajaú. A conclusão, entre os alunos do projeto, foi de que, apesar de todas as dificuldades e carências da região, essa comunidade tem sua beleza e cabe também ao jovem descobrir as melhores formar de explorar e ajudar a transformar - para melhor - a região.

Por Cleide Quináglia / Equipe Onda Jovem

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