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Família: diálogo, afeto e limites

31/08/2011
Jovens do Programa Educar refletem sobre os pilares e os conflitos nas relações familiares.

O tema família foi o centro das discussões da oficina Onda Jovem realizada na Associação Programa Educar. Participaram da atividade 17 jovens que cursam o programa de formação profissional da organização. Marcos Paulo Gomes Mateus, 17 anos, questionado sobre como define sua relação familiar, resumiu: “Família pra mim é tudo.”

A série de atividades selecionada para a oficina estimulou o debate sobre os pilares - relacionamento, amor, confiança e diálogo – que consolidam a relação familiar. Motivados pelas dinâmicas, os jovens debateram as dificuldades e conflitos que surgem no convívio familiar e os elementos que fortalecem os vínculos entre os membros que constituem e núcleo familiar.

Existe uma família ideal? Foi com essa pergunta que Luciana Gil, da equipe Onda Jovem, induziu o debate com os alunos, sobre o tema em questão. Todos foram categóricos em dizer que "não". "A família ideal é a família de cada um, com as coisas boas, com as ruins. Família ideal so tem em propaganda mesmo. Eu gosto da minha família do jeito que ela é." manifestou espontaneamente um dos participantes.Incorporada essa ideia, os jovens falaram sobre os problemas que vivenciam dentro de casa e as boas experiências vivenciadas com seus familiares.

“Acho que o que mais afasta os jovens de suas famílias é a falta de diálogo e a falta de confiança para falar sobre assuntos difíceis como drogas e alcoolismo”, resumiu o estudante Lucas Diniz de Souza, 17 anos.

Diálogo e confiança foram os conceitos mais citados como elementares para uma boa relação familiar. “Em qualquer relação, dentro ou fora de casa, com a família ou com os colegas de trabalho, a confiança é fundamental para o bom relacionamento. Confiar, deriva de ‘fiar com’, ou seja, tecer junto”, explica Marta Medeiros, da equipe Onda Jovem.

Muitos relatos mostraram que falta disposição e abertura – tanto por parte dos jovens quanto por parte dos membros mais velhos da família – para colocar os conflitos juvenis em pauta dentro de casa. “Sinto muita dificuldade em abrir meus problemas para meus pais”, comentou um dos jovens participantes.

Entender as razões dessa dificuldade de diálogo é tarefa complexa, mas a oficina deixou algumas pistas. “Os cenários mudam de família para família, mas alguns pontos parecem recorrentes. Falta tempo para o diálogo, falta espaço para o afeto e falta disposição para um entender o universo do outro”, analisa Luciana Gil.

Sobre a experiência de levar a discussão sobre família para dentro de uma sala de aula que, na maior parte do tempo, se dedica ao estudo técnico e profissionalizante, Edvaldo Gomes Magalhães, diretor da instituição, comenta que foi uma ocasião muito enriquecedora. “Acho muito importante trazer questões relacionadas à família na formação do jovem para o mercado de trabalho, pois os valores familiares se aplicam também no mundo do trabalho.”

Cadê o afeto?

Que o amor é um dos pilares da família não há dúvida. Esse ponto foi consensual entre os jovens que participaram da oficina. O grande problema parece estar em demonstrar o sentimento. “Depois dos desentendimentos fica sempre uma sensação ruim. Aí fica difícil demonstrar carinho depois”, comentou um dos participantes.

“Eu amo muito minha família, mas nem sempre consigo demonstrar”, completou outro colega. As demonstrações de amor, carinho e afeto nem sempre são estimuladas. Isso aumenta a distância na relação entre os membros da família.

Liberdade em debate

Expectativa comum entre diversos grupos que já participaram das oficinas Onda Jovem, o anseio pela liberdade mais uma vez ganhou espaço nos debates. “O jovem, hoje em dia, quer liberdade. E os pais costumam repreender seus filhos, achando que isso é proteção”, comentou Marcos Paulo.

Contudo, os estudantes demonstraram entender a preocupação dos pais e entendem que limites e regras são necessários. “Não considero regras obstáculos, porque já tenho maturidade para saber que essas coisas são para o meu bem”, concluiu Edson Luis Penna.

Por Rodrigo Bueno/ Equipe Onda Jovem

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