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Educadores debatem modelos de oficina do Onda Jovem

09/08/2011
Primeiro ciclo de aplicação do projeto Onda Jovem levou à organização Anchieta, em São Paulo (SP), oficinas sobre territorialidade e relações familiares.

A nova proposta do Onda Jovem é levar para a prática, dentro e fora de sala de aula, os conteúdos produzidos ao longo dos seis anos de atuação, assim como testar novas abordagens desenvolvidas pela equipe do projeto. Antes de levar as oficinas para os jovens, a equipe debate a proposta com educadores e avalia caminhos para o percurso.

 

O lançamento do primeiro ciclo de oficinas do projeto Onda Jovem aconteceu no último dia 3 de maio. O palco para a aplicação da metodologia foi o Projeto Anchieta, que atua com crianças, jovens e famílias no distrito do Grajaú, zona sul de São Paulo. A organização se disponibilizou para ser o piloto deste novo trabalho.

O objetivo era testar aplicações de planos de aula, oficinas e atividades com jovens. O resultado do trabalho – sistematizado agora nesta série de matérias – serve como exemplo para outros educadores e profissionais que atuam com juventude.

Os temas a serem trabalhados, definidos pela equipe Onda Jovem, foram Família e Territórios, foco das edições 10 e 13 da versão impressa da revista. A proposta era provocar os jovens para uma reflexão sobre suas origens, suas relações e seus espaços de convivência. Afinal, “de onde viemos e para onde vamos?” e a pergunta que se coloca.

De acordo com a metodologia desenvolvida, a ciclo começa com o alinhamento com coordenadores e equipe pedagógica da organização selecionada para aplicação das atividades. Desta forma, educadores e equipe Onda Jovem debateram os temas definidos para o ciclo e as atividades planejadas. A ideia era conhecer a realidade da organização, afinar a metodologia e discutir a viabilidade das aplicações.

 

Aquecendo corpos e mentes

 

Com o intuito de preparar os participantes para a atividade, foi proposto um alongamento coletivo. Desta forma, o grupo foi aquecido em uma atividade descontraída que, ainda, promoveu o conhecimento das equipes do Anchieta e Onda Jovem.

Ciclo1educadoresemdebate.JPGApós o aquecimento corporal foi aplicada a dinâmica da Corrente dos Elos. “O objetivo desta atividade é estimular as pessoas a se conhecerem, destacando qualidades dos indivíduos participantes e fortalecendo o sentido de pertencimento ao grupo”, explica Marta Medeiros, uma das coordenadoras do projeto Onda Jovem.

De acordo com a dinâmica, os participantes escrevem em um papel seu nome e uma qualidade que reconheça em sua personalidade. Na sequência, todos se apresentam. Os pedaços de papel, então, são unidos formando uma corrente. A reflexão, após o fim da apresentação, é sobre a importância de cada elo na composição da corrente, onde cada qualidade é essencial para o todo e para a concretização do trabalho.

Algumas contribuições já sinalizaram o valor que a equipe local dá em trabalhar com jovens. “Vim para a educação para contribuir com a transformação de pessoas. Nós educadores, temos nas mãos a possibilidade de oferecer algo de bom para as pessoas com quem trabalhamos”, comentou Leda Maria da Silva, coordenadora pedagógica da instituição.

 

Discussão da proposta

 

Aquecidos, os participantes puderam conhecer um pouco mais sobre a história e a proposta do Onda Jovem. Além de entender melhor o projeto, os educadores contribuíram com ideias para as atividades que seriam realizadas com os jovens. “Para nós, que estamos trabalhando no desenvolvimento dos planos de aula e das oficinas, é fundamental testar a viabilidade do trabalho. Ninguém melhor para sinalizar os pontos frágeis do planejamento do que os próprios educadores”, explica Luciana Gil, do projeto Onda Jovem.

 

Ciclo1atividadeemdupla.JPGOs temas definidos para o primeiro ciclo foram Família e Território. “Optamos por estas temáticas por serem a base de construção de personalidade do indivíduo. Entender como o jovem se relaciona com sua família e com seus espaços de convivência nos dá muito sinais sobre quem ele é e o que ele espera do futuro”, explica Luciana.

De acordo com Rosana Lima, coordenadora de projetos de juventude do Anchieta, os dois temas já foram trabalhados com os jovens de forma superficial. “Os temas família e território já foram aplicados anteriormente sob a perspectiva sociocultural. A proposta do ciclo do Onda Jovem poderá complementar os debates que já foram realizados em sala de aula”, avalia.

Marta e Luciana destacaram que a ideia das oficinas é promover uma reflexão sobre os Pilares que estruturam a Família  (amor, relacionamento, diálogo e confiança) seu papel na construção da identidade de cada um e os tipos de família presentes no mundo moderno. Sobre território, a proposta é entender  como o local em que se vive interfere no individuo, e como este interfere nas regiões em que circula.

As coordenadoras do Onda Jovem explicaram, ainda, que além das atividades em sala de aula, a proposta extrapola os muros da organização. Os jovens são convidados a participar de “ações de mobilização”, por meio de registros – em diversos meios audiovisuais – sobre suas relações com família e sobre a região onde moram.

 

 

Atividade prática

 

Após o debate, as educadoras foram convidadas a participar de uma atividade prática. Divididas em duplas elas listaram pontos de atenção e sugestões para trabalhar os temas em sala de aula. Os insumos desta atividade serviram para realinhar alguns pontos da proposta e pensar o que pode e, principalmente, o que não pode dar certo em sala de aula.

 

Algumas observações dos educadores sobres os temas:

Não tomar como referencial nas atividades um modelo de família ideal. Fortalecer a ideia de “família real”;

Considerar questões de gênero nas relações e papéis familiares;

Estimular produções individuais a fim de atender as especificidades de cada jovem;

Realizar de trabalhos corporais para tornar as oficinas mais dinâmicas;

Considerar o contexto social das famílias, já que ele muitas vezes implica na problemática do núcleo familiar;

Enfatizar o papel do jovem na família.

Trabalhar a questão do respeito entre membros da família.

Caso surjam aspectos negativos em relação ao bairro onde moram, pode ser interessante levantar os aspectos negativos da cidade como um todo para mostrar que o “problema” não é exclusivo deste lugar.

A equipe que aplicará as atividades precisa entender bem a realidade local antes de conduzir as dinâmicas

 

Pontos de atenção anotados, planos de aula definidos e atividades planejadas, é hora de colocar os jovens para pensar as temáticas propostas. “A contribuição dos educadores que atuam na organização foi fundamental para entendermos nossos limites e as possibilidades para o trabalho. Foi um dia muito rico. Agora é ver como o trabalho será assimilado pelos adolescentes”, conclui Marta Medeiros sobre a oficina de alinhamento do Ciclo 1 do projeto Onda Jovem.



Créditos: Planejamento e aplicação das oficinas: Luciana Gil, Marta Medeiros e Fátima Falcão | Fotos e sistematização: Rodrigo Bueno

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