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Famílias juvenis

11/08/2011
O educador Danilo Safi propõe uma dinâmica na sala de aula para refletir com os estudantes sobre as conseqüências da gravidez precoce.

O Programa de Saúde do Adolescente, em São Paulo, registra que a cada cinco jovens mães apenas uma mantém algum tipo de relacionamento confortável com o companheiro. E que o abandono das relações pelo pai acontece em 40% das vezes durante a gravidez e 20% após o primeiro ano de vida da criança. As informações estão na reportagem “Um difícil começo”, publicada na revista Onda Jovem, na edição que trata do tema família. Elas servem de base para este plano de aula, preparado pelo professor Danilo Abranches Safi. O educador leciona há 15 anos Biologia e Ciências no ensino fundamental e médio de escolas particulares de São Paulo e no cursinho da Escola Politécnica da USP. Confira as sugestões do professor para debater o assunto em sala de aula.

Aula 1

Objetivo: promover reflexão e discussão sobre o que uma gravidez precoce pode acarretar na vida do jovem, na de sua família e na da criança que virá a nascer.

Os alunos(as) devem realizar a leitura (individualmente para já ir refletindo) do texto “Um difícil começo”, que discute implicações de uma gravidez precoce. Formar pequenos grupos e propor a discussão e levantamento dos seguintes questionamentos:

a) A que você credita essa grande quantidade de gravidezes precoces?
b) Por que famílias de pais jovens são pouco duradouras?
c) Que aspectos diferenciam um ser jovem de um ser adulto?
d) Na década de 1970 jovens que tinham gravidez precoce eram expulsas de casa. Por que essa mudança de postura dos pais atualmente?
e) Que comportamentos deve ter um jovem que esteja preparado para experimentar, com responsabilidade, sua sexualidade?

Abrir a discussão para a sala toda, onde cada grupo expõe suas idéias, debatendo-as.

Aula 2


Objetivo:
desenvolver a capacidade da escrita de um determinado gênero textual, a resenha, e aprimorar sua capacidade de argumentação.

Os alunos(as) devem assistir ao filme “Meninas”, documentário produzido e dirigido em 2005 por Sandra Werneck. Esse documentário conta a história de três adolescentes, com 13, 14 e 15 anos, que estão grávidas e vivem na periferia do Rio de Janeiro.

Após assistirem ao filme, os alunos(as) produzirão uma resenha sobre ele e a melhor delas, escolhida pelos alunos, figurará no jornal da escola ou será divulgada em outras classes, trazendo assim um maior número de estudantes para o debate.

Aula 3

Objetivo: interpretar uma obra e analisar os diferentes comportamentos, tanto de gênero quanto de maturidade, em função de uma gravidez precoce.

Propor as seguintes questões para uma discussão sobre o documentário assistido (pode-se seguir o mesmo formato da 1ª aula, iniciando-se com pequenos grupos e posteriormente abrindo-se a discussão):

a) Quais perspectivas têm as quatro jovens mães do documentário? Em que você se baseou para chegar a essas conclusões?
b) Quais perspectivas têm as crianças filhas das quatro jovens mães do documentário? Em que você se baseou para chegar a essas conclusões?
c) Como passou a ser relação dos pais (ou só da mãe) com as filhas, após a gravidez das “meninas”?
d) Que diferenças de atitudes você vê entre a mãe da menina grávida e a mãe do menino que a engravidou?
e) Que diferenças de comportamento você nota nas “meninas” antes e depois do parto?

Aula 4

Objetivo: discutir se há ou não relação entre a violência e os altos índices de natalidade em locais de grande pobreza.

O professor pode colocar na lousa a seguinte declaração dada pelo governador do Rio de Janeiro no final de 2007, baseada na tese de dois autores norte-americanos (Steven Levitt e Stephen J. Dubner), que consta do livro "Freakonomics” e cuja idéia central é a relação estabelecida entre a legalização do aborto e a redução da violência nos EUA.

“Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”.

Após essa colocação o professor deve retomar as respostas dadas pelos grupos e a discussão dos itens a) e b) da aula anterior. A sugestão, agora, é promover uma discussão sobre uma questão que gera constante polêmica: a descriminalização do aborto. É importante oferecer aos jovens informação sobre as diferentes visões sobre o tema. Para começar, nos links abaixo existem visões divergentes sobre a fala do governador do Rio de Janeiro.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2022430-EI6594,00.html

http://odia.terra.com.br/brasil/htm/
jandira_critica_visao_do_aborto_defendida_por_sergio_cabral_131141.asp


Aulas 5 e 6

Objetivo: tratar e comparar dados; construir, interpretar e analisar gráficos.

O professor deve pedir aos alunos que façam uma pesquisa com os colegas de sala e se possível com os jovens da escola (entre 13 e 19 anos), para verificar a importância que a juventude da à sexualidade. Eles podem comparar os resultados obtidos com levantamentos ou estudos feitos em nível nacional. Os alunos devem produzir gráficos de barra e/ou de pizza.

Orientação ao professor: ajude os alunos a elaborar a ficha com os dados a serem pesquisados porque na pesquisa são feitas respostas estimuladas. Fora do horário de aula serão realizadas as pesquisas e o tratamento dos dados (freqüências e construção dos gráficos) é realizado em sala.

Subsídios para os alunos: a pesquisa “Perfil da juventude brasileira”, que pode ser encontra neste site, no link : http://ondajovem.terra.com.br/materiadet.asp?idtexto=285

Sugestão de perguntas para a pesquisa a ser realizada pelos alunos:

- Quais os assuntos que mais interessam aos jovens?
- Quais os problemas que mais preocupam os jovens atualmente?
- Dos seguintes temas ou assuntos, quais você mais gostaria de discutir com seus amigos?
- Dos seguintes temas ou assuntos, quais você mais gostaria de discutir com seus pais ou responsáveis?
- Dos seguintes temas ou assuntos, quais os três você acha mais importantes para serem discutidos com a sociedade em geral?

Aulas 7 e 8

Objetivo: estimular os alunos a refletirem sobre a relação existente entre pobreza e gravidez na adolescência, a partir do trecho extraído da pesquisa coordenada por Ana Amélia Camarano, também disponível neste site.

Uma transição curta e condensada: os jovens pobres

No debate sobre transição para a vida adulta, que tem enfatizado o fenômeno do prolongamento da juventude, propomos uma argumentação em termos de transição curta ou condensada, olhando-se o fenômeno pelo prisma da reprodução. Os jovens com filhos apresentam um conjunto de características sociobiográficas específicas que sugere uma passagem rápida à vida adulta, em que o episódio
reprodutivo acelera o processo ou, mesmo, representa seu ápice ou conclusão.

Eles contrastam assim com os jovens dos segmentos mais favorecidos, entre os quais de fato se observa a extensão da transição, seja pelo prolongamento dos estudos ou/e sua permanência na casa dos pais (BRANDÃO, 2003). Acrescente-se que, nos poucos episódios em que esses jovens se envolvem em gravidez, estas terminam majoritariamente em aborto (MENEZES; AQUINO; SILVA, 2006).

Fonte: http://ondajovem.terra.com.br/materiadet.asp?idtexto=273

O texto afirma que os jovens pobres entram antes na vida adulta. Com isso o professor pede que os alunos levantem diversas ações, tanto sociais quanto governamentais, que possam levar a uma mudança deste quadro. Após anotar na lousa todas as sugestões, o professor propõe a construção de um texto coletivo.

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