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O mapa do lugar e da cidade

11/08/2011
A partir da leitura do mapa do lugar e da cidade, os jovens podem ampliar a compreensão crítica da realidade social.

Roteiro de Oficina publicado na Edição 13 - ano Dezembro / 2008 - Territórios

A educadora Vilma de Sousa publicou em 2004, por meio da Fundação Odebrecht e com o apoio do Instituto Aliança com o Adolescente, da Secretaria de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, e do Ministério do Trabalho e Emprego, o livro Juventude, Solidariedade e Voluntariado. Como itinerário educativo, uma das propostas do livro é a realização de encontros para discussões que permitam uma leitura crítica do entorno social.

Nessa edição sobre Territórios, Onda Jovem publica as atividades sugeridas no capítulo “Espaços de Vivência e Convivência” como um plano para educadores.

Confira a seguir a sugestões de Vilma de Sousa para trabalhar com os jovens esse tema.

Neste capítulo, estimulamos a observação dos espaços de vivência e convivência para, a partir da leitura do mapa do lugar e da cidade, ampliar a compreensão crítica da realidade social.

O lugar deve ser compreendido não só como espaço físico, mas como espaço de partilha de uma rede de relações sociais constituídas. É nele que as pessoas vivem e é a ele que podem transformar; dentro do âmbito de suas possibilidades e competências. Os limites de nossa atuação no espaço em que vivemos – a casa, o bairro, a cidade, o país – decorrem da posição que nele ocupamos, das possibilidades que nos são oferecidas, da maior ou menor mobilidade das estruturas sociais e também da consciência que temos de nós mesmos.

As atividades propostas, além de estimular o aprofundamento e a concretização das reflexões sobre o significado de fatores socioculturais na formação da identidade, ensejam ao facilitador selecionar e priorizar; junto com o grupo, os temas a serem trabalhados neste módulo, considerando as necessidades, possibilidades e interesses dos jovens.

Objetivos

As atividades propostas neste capítulo buscam oferecer aos participantes oportunidades de:
• estabelecer relações entre a situação no espaço social e o uso dos espaços de vivência e convivência;
• perceber, nos espaços de vivência, manifestações de identificações e identidades econômicas, socioculturais e étnicas;
• relacionar o uso e a organização do espaço social com as divisões, segregações e hierarquias da estrutura social;
• situar-se no espaço social como pessoas e cidadãos;
• identificar temas de interesse para a compreensão de si mesmos e da realidade em que vivem.

COMO ME VEJO NO ESPAÇO VIVIDO

Foto-identificação

• Para iniciar o encontro, forma-se uma grande roda com os participantes de mãos dadas.
• No centro da roda, são colocadas fotos representando pessoas envolvidas em situações diversas do cotidiano (lazer, namoro, estudo, família, trabalho, manifestação popular etc.). As fotos devem incluir jovens dos dois sexos, de diferentes níveis sócio-econômicos, com traços étnicos e tipos físicos variados.
• Os participantes são convidados a circular em torno das fotos, e cada qual deve escolher a foto com que mais se identifique.
• Assentados em círculo, os participantes compartilham as razões da escolha.
• A partir das falas compartilhadas, o facilitador comenta sobre a importância de cada um ter consciência do seu modo de ser e viver e também do que deseja modificar em si mesmo e em seus espaços de vivência.

As fotos devem ser variadas e numerosas (pelo menos duas por participante). Se algum participante escolher a mesma foto que um colega, poderá fazê-lo e, ao compartilhar, apresentar as razões pessoais de sua escolha.

O facilitador deve manter-se atento à auto-imagem que os jovens têm de si mesmos, às diferenças entre o que são e o que gostariam de ser, dados que podem revelar o nível de consciência e auto-aceitação de cada um em relação à sua identidade sociocultural.

REPRESENTANDO OS ESPAÇOS DE VIVÊNCIA

• O facilitador propõe um relaxamento dirigido, para que cada um se veja em seus espaços de vivência.

- Procure sentar-se numa posição confortável, feche os olhos, inspire suavemente e profundamente pelo nariz e expire pela boca três vezes. Relaxe todo o corpo. Observe suas sensações, pensamentos e sentimentos neste momento... Seja um observador de você mesmo... Você já teve oportunidade de perceber diferentes aspectos da construção de sua identidade. Com certeza, hoje, já tem maior consciência de quem você é, da porção mais íntima de sua identidade, do que deseja para você... Neste momento, você vai entrar em contato com outras dimensões de sua identidade. Vai pensar como é sua vida no dia-a-dia, como você se comporta nos diferentes espaços de vivência e convivência... Será que você muda seu jeito de ser quando está em casa com sua família e quando está com seus amigos? Até que ponto sua família tem influência sobre seu jeito de ser?... E a escola?... Você tem amigos na vizinhança de sua casa? Se tem, como eles são?... Que influência têm sobre você? Se você não tem amigos na vizinhança, por que não tem?... Que outros espaços de convivência fazem parte de sua vida? Você freqüenta alguma igreja?... Alguma associação comunitária? Algum clube? Que importância têm para você esses espaços, as pessoas que fazem parte deles, as experiências que você vive neles?... Agora, visualize-se na sua casa, no seu bairro, nos vários lugares aonde você costuma ir para estudar, namorar, trabalhar, se divertir, fazer compras... Como você ocupa esses espaços?... Como se sente e circula neles? Você conhece a sua cidade? Desfruta do que ela lhe oferece? Visualize um mapa de sua vida cotidiana e coloque no papel o mapa que visualizou.

• Numa folha de papel-metro, cada participante vai fazer, com desenhos e símbolos, o mapa de sua vida cotidiana, incluindo:
1. o desenho da casa onde mora e a representação dos membros de sua família por meio de símbolos;
2. a identificação e representação dos espaços de trabalho, educação, consumo, lazer, atividades religiosas, culturais etc., também por meio de desenhos e símbolos;
3. uma legenda para a interpretação dos símbolos.

• Os mapas são expostos no chão, e todos circulam, olham os mapas uns dos outros e formam subgrupos a partir da identificação de afinidades entre o seu mapa e os demais.

• Nos subgrupos, os participantes compartilham o significado das representações feitas, descobrindo pontos comuns e diferenças.



Como habitamos nosso corpo?

• Cada participante cria cinco bandeiras, para assinalar, em um mapa da sua cidade em tamanho grande, os espaços mais importantes ou significativos de sua vida atual, do seu dia-a-dia. Em cada bandeira, deve aparecer um símbolo para identificação pessoal do participante e também o símbolo usado para representar aquele espaço no mapa feito individualmente, na atividade anterior.

• O facilitador estimula a observação crítica do mapa e a manifestação dos participantes em relação ao que vêem:

1. O que vocês percebem a partir da representação que as pessoas fizeram de si mesmas nos espaços de vivência?

2. Há áreas que concentram maior número de bandeiras?

3. Há áreas que ninguém deste grupo freqüenta? Por quê?

4. Há moradores da cidade ou região que não estão representados neste mapa? Quem seriam eles?

5. Vocês gostariam de transitar e conviver em outros espaços além dos que identificaram? Quais seriam eles? Por que vocês sentem assim?

• A partir das falas compartilhadas, o facilitador deve estimular o grupo a perceber que todos compartilham um espaço comum, mas cada qual ocupa uma posição nesse espaço e nele circula de forma diferenciada.


Lendo os espaços de vivência e convivência

• Para ampliar a consciência da organização social do lugar onde os participantes vivem e da posição deste no país e no mundo, o facilitador pode desenvolver com o grupo uma discussão dialógica a partir do plano apresentado a seguir.

PLANO DE DISCUSSÃO

• É possível descobrir, na aparência das pessoas, marcas de sua origem econômica, étnica, sociocultural? Por que você pensa assim?
• Você conhece grupos ou tribos que buscam se distinguir de alguma maneira? Se conhece, como se dá essa identificação: pela aparência, modo de vestir, linguagem, comportamento? Por que você acha que isso acontece?
• Você se sente parte de algum grupo ou tribo? Se não se sente, por que isso acontece? Se se sente, o que une o seu grupo? Que função tem em sua vida?
• No seu bairro ou região existem espaços de cultura, de lazer, serviços de saúde? Se existem, você desfruta deles? Explique por quê.
• Como é o lugar onde você vive? Está situado no campo ou na cidade? Faz parte do centro ou da periferia?
• Como a sua cidade (ou o lugar onde você vive) se articula com o país e com o mundo? É um centro agroindustrial, tecnológico, cultural, comercial? Conta com serviços especializados?
• É possível perceber, na organização do espaço da sua região ou cidade, diferenças econômicas, culturais ou de outro tipo?
• Quem vive em sua cidade ou região tem acesso a informações sobre o que está acontecendo nela? Tem acesso ao que está acontecendo no Brasil e no mundo? Você toma conhecimento disso? Por que você acha que isso acontece?
• Existem festas populares em sua cidade ou região? Se existem, quais? Onde acontecem? Quem participa? Você conhece a origem e o significado dessas festas?
• O que você mais aprecia no lugar onde vive? O que lhe provoca orgulho? O que lhe desagrada? O que gostaria de transformar?

• Concluída e avaliada a discussão, o facilitador faz breve exposição sobre o trabalho a ser desenvolvido neste módulo, destacando os dois objetivos básicos a serem atingidos:

1. conhecer o espaço social onde vivemos e pretendemos atuar;
2. ampliar a capacidade de compreensão desse espaço e também da realidade do Brasil e do mundo, por meio da discussão de temas de interesse para a realidade contemporânea.


Mapeando temas

• O facilitador explica ao grupo como será a dinâmica de trabalho neste módulo, esclarecendo que todos juntos vão traçar o caminho a ser seguido, escolhendo os temas a serem trabalhados e os lugares a serem visitados para a realização dos trabalhos de campo.

• Cada participante vai atribuir pontos de 1 a 10 aos temas de uma lista apresentada, de acordo com seu grau de interesse. O número 10 será atribuído ao de maior interesse e o número 1 ao de menor interesse. O facilitador deve orientar o grupo para considerar seus interesses e necessidades pessoais e as necessidades identificadas a partir do trabalho sobre o espaço de vivência.

É importante que os participantes tenham liberdade de expressar suas necessidades pessoais, e também que o facilitador lembre ao grupo a missão que se propuseram a realizar e o que devem conhecer para fazê-lo.

• Feita a marcação individual, um representante do grupo registra, num quadro ou painel, a nota atribuída pelos participantes a cada item e faz a contagem final.

O facilitador deve verificar a compreensão que os jovens têm do significado dos temas, investigar as expectativas do grupo e também abrir espaço para a sugestão de outros temas que não constem da listagem apresentada. Dessa forma, serão identificados, junto com o grupo, os temas a serem trabalhados e a ordem de prioridade de cada um.

O levantamento de dados feito neste momento inicial funcionará como o planejamento geral das atividades do módulo Encontros. O facilitador deve manter os registros e voltar a eles sempre que se tornar necessário avaliar ou redirecionar o trabalho. O número de temas selecionados dependerá das necessidades do grupo e do tempo disponível para o desenvolvimento do trabalho. Pode ser interessante priorizar, inicialmente, apenas três ou quatro temas, uma vez que, para cada um, serão realizados trabalhos de campo, e esse tipo de atividade requer tempo para planejamento, realização e avaliação.


Como me vejo e o que desejo mudar?

• Assentados em círculo, os participantes são solicitados a responder, individualmente, por escrito, às seguintes perguntas:

1. Numa escala, de 1 a 10, como você se situa em relação à possibilidade de:

  • Ter acesso a bens materiais?
  • Ter acesso a bens culturais (teatro, cinema, educação, lazer etc.)?
  • Tomar decisões sobre sua vida pessoal?
  • Influenciar nas decisões coletivas?


2. Você gostaria de alterar sua vida em relação a algum desses
pontos? Por quê? Como acha que poderia começar a fazer isso?

Os registros escritos deverão ser recolhidos e guardados pelo facilitador para uso posterior numa atividade de avaliação, ao final do programa.




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