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Noel Rosa, crônica da vida de um jovem

Ricardo Van Steen, um dos autores do projeto gráfico da revista Onda Jovem, estréia como diretor de longa-metragem com o filme "Noel: Poeta da Vila"

05/03/2012

05/03/2012

Por Eliza Muto

Impossível não se apaixonar por Noel Rosa. O jovem poeta do samba viveu intensamente a boemia das noites da Lapa, jogando sinuca com os amigos do morro ao mesmo tempo em que compunha músicas sobre o Rio de Janeiro dos anos 1930, até morrer precocemente, aos 26 anos. Foi essa trajetória, fusão de vida e arte, que seduziu o paulistano Ricardo Van Steen ao ler a biografia do compositor, de autoria de João Máximo e Carlos Didier. “Na época, tinha mais ou menos a mesma idade de Noel e me identifiquei com ele. Estava passando pelos dilemas que ele passou: ‘vou seguir o caminho que minha mãe quer ou vou fazer o que quero?’”, diz Van Steen, que agora faz sua estréia como diretor de longa-metragem com o filme “Noel – Poeta da Vila”, em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Van Steen é também artista plástico e designer gráfico, autor, juntamente com Artur Lescher, do projeto gráfico da revista Onda Jovem. 

O filme - que conta com atuações elogiadas de Rafael Raposo, que faz o personagem-título, e de Camila Pitanga, encarnando sua sensualidade em Ceci, maior paixão e musa de Noel Rosa – conta a história do boêmio carioca nos seus últimos cinco anos de vida, justamente os anos de sucesso de sua breve carreira. Tudo começa quando o jovem branco de classe média troca a faculdade de medicina pelo samba carioca, ganhando as ruas com a canção Com Que Roupa no carnaval de 1931. A música, criada em 1929, quando Noel tinha apenas 19 anos, nasceu como uma paródia ao hino nacional – constata-se cantando a letra com a melodia do hino. 

“O filme tenta mostrar esse momento complicado de passagem da juventude para a vida adulta, quando temos de nos firmar no ambiente em que circulamos. E o Noel é um caso típico do burguês que caiu no mundo do samba, do jovem branco que convivia com as pessoas do morro”, diz Van Steen, acrescentando que, ao mesmo tempo, o filme trata também de amizade e amor. A parceria e o companheirismo com os sambistas do morro Ismael Xavier e Cartola, as disputas musicais com Wilson Batista e a paixão arrebatadora por Ceci também foram transpostos para a tela. “É uma crônica da vida de um jovem na casa dos 20 anos”, resume o diretor, que gostaria de ter seu filme assistido principalmente pelos estudantes, não somente para difundir a obra de Noel Rosa junto às novas gerações, mas principalmente pelo reconhecimento possível entre o jovem e o artista que constituíram o Poeta da Vila.
Ator é revelação

O ator Rafael Raposo, que após perder 14 quilos e usar uma prótese no queixo – para reproduzir o conhecido defeito no rosto de Noel -, ficou impressionantemente parecido com o compositor, concorda: “Esse é um filme para os jovens.” Para o ator de 28 anos, o longa trata das descobertas da juventude – a noite, o amor, a malandragem. “A malandragem da época, ingênua, está presente hoje na vida do jovem de classe média. É o caso do estudante que quer matar aula, por exemplo”, disse Raposo. 

Mas é bom lembrar que o filme é feito também para os ouvidos. O samba ganha passagem na cinebiografia do compositor de Vila Isabel, com músicas que são sucesso até hoje, regravadas por vários intérpretes, caso de Pierrô Apaixonado, Feitiço da Vila, Palpite Infeliz e Último Desejo – sendo que esta última é encenada em um dos momentos de maior sensibilidade do filme. “Não tem como não se emocionar com a poesia da música. Afinal, todo jovem brasileiro nasce ouvindo música”, diz Raposo. 

O ator fez um intenso trabalho de pesquisa e experimentação para interpretar Noel, que morreu vitimado pela tuberculose. Além de fazer aulas de canto e violão, Raposo teve de aprender a fumar e a jogar sinuca. “Comecei a fazer o trajeto que o Noel fazia pelo Rio, andando a pé da Mangueira até a Vila Isabel, e também ficava perambulando pelo bairro da Lapa, conversando com as pessoas para entender melhor como era aquele ambiente”, conta Raposo. O resultado? A interpretação de Raposo vem agradando até mesmo à nata do samba carioca. A veterana sambista Beth Carvalho, que conferiu a pré-estréia do filme no Rio de Janeiro, convidou o jovem ator para cantar com ela.



Para saber mais sobre o filme, acesse o site oficial: http://noelpoetadavila.uol.com.br/