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Por Dina Krauskopf
No momento em que o Brasil cria a sua Secretaria Nacional da Juventude e discute o Plano Nacional da Juventude, uma espécie de estatuto do jovem, a discussão sobre a saúde nesta fase da vida ganha ainda maior importância. Com esse debate, a psicóloga costarriquenha Dina Krauskopf tem muito a contribuir. Professora emérita da Universidade da Costa Rica, seu currículo inclui participação na rede de especialistas em políticas da juventude da Organização Ibero-Americana da Juventude, consultoria internacional de juventude de agências das Nações Unidas e diretoria do Instituto de Investigações Sociais de seu país.
Nome importante na pesquisa sobre políticas públicas para a juventude na América Latina, ela considera fundamental que a sociedade aprenda a contar com seus jovens: "A fase juvenil tornou-se um período cronológico suficientemente amplo para adquirir sentido em si mesmo e não ser vista apenas como uma transição para a vida adulta. A juventude incorpora a imprevisibilidade e a inovação, absorve o ritmo dos tempos, administra a incerteza. As sociedades necessitam contar com os jovens, com sua capacidade de aprender a aprender e reciclar com flexibilidade suas competências e atitudes, sua alegria criativa e energia vital". A seguir, os principais trechos de sua entrevista.
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Onda Jovem: Qual é o cenário atual das políticas públicas para juventude na América Latina?
Dina Krauskopf: Hoje, na América Latina, existe um cenário muito favorável ao desenvolvimento de políticas para a juventude. Para isso, contribuem principalmente três fatores: a globalização do enfoque de direitos, o avanço das políticas de atores estratégicos - e não apenas de setores - e a consolidação de identidades juvenis. |
E em relação às políticas de saúde: elas são suficientes? Estão atualizadas?
Há várias iniciativas importantes: a OPS (Organização Pan-americana de Saúde, órgão regional da OMS, Organização Mundial de Saúde) impulsionou os programas de atenção integral à adolescência. O Fundo de População das Nações Unidas desenvolve programas de saúde sexual e reprodutiva. A Unicef também contribuiu em relação aos direitos juvenis e sua regulamentação. O enfoque de direitos, de participação e de gênero foi um marco importante e as iniciativas se potencializaram e propiciaram alianças valiosas, boas experiências e lições úteis. No entanto, o foco de todas essas políticas foi a adolescência, já que a juventude não recebeu uma atenção específica. E as tendências mais conservadoras ainda combatem as abordagens mais liberais e o acesso dos jovens aos serviços de sexualidade e saúde reprodutiva. |
Quais são os maiores obstáculos ao desenvolvimento de políticas eficazes?
Um deles é que não há uma diferenciação precisa entre o que são políticas e o que são planos de ação, e há sempre o risco de que as ações não se traduzam em programas palpáveis e planejados em parceria com os setores responsáveis. Mesmo que exista um fortalecimento paulatino das instâncias de juventude encarregadas de tornar essas políticas reais, faltam, em muitos dos organismos responsáveis por elas, os aportes necessários do conhecimento das realidades juvenis e a capacidade técnica fundamental para exercer sua coordenação. Finalmente, mas não menos importante, as plataformas de participação juvenil avançaram notavelmente, mas ainda resta um caminho a ser percorrido até que se constitua um sistema de juventude sustentável, articulado e estável. |
Quais são os avanços mais significativos e as tendências mais recentes na área?
Creio que o avanço mais significativo foi a mudança de paradigma. Hoje, o conceito de saúde como "ausência de doença" foi substituído pelo conceito de saúde como "direito, desenvolvimento e construção social". |
Quais países têm se destacado na implementação de políticas de saúde para jovens e com quais programas?
Em muitos países da América Latina existem valiosas experiências em relação à saúde na adolescência. A Argentina tem iniciativas importantes, entre as quais o programa amplamente participativo que se desenvolve na região da Patagônia, onde se integram forças juvenis, universitários, educadores e o governo local, além de apoio internacional, sob a liderança da dra. Monica Borile. Há também um programa de âmbito clínico em Buenos Aires, sob a liderança das doutoras Dina Pasqualini e Maria do Carmen Hiebra, que, associado à Universidade de Buenos Aires, forma profissionais de qualidade em cursos à distância. |
Como tem sido a experiência da Costa Rica?
A Costa Rica é um dos países pioneiros no desenvolvimento de programas de atendimento integral à adolescência. Há um programa nacional inserido em seu sistema único de saúde, a Caixa Costarriquense de Seguro Social. Esse programa tem uma abordagem integral, um forte desenvolvimento na promoção da saúde e do atendimento preventivo, assim como na participação dos jovens de ambos os sexos nos diversos níveis de ação. Entre suas dificuldades, está o fato de a capacitação dos funcionários ser afetada pela rotatividade que eles experimentam dentro do próprio sistema. A participação juvenil se mantém forte, consolidada numa rede de adolescentes que se incorporaram à Coligação de Jovens na luta contra a Aids. |
Como a sra. vê a situação brasileira?
De forma favorável, já que existe um forte compromisso e agentes capacitados para dar continuidade às políticas de juventude, com uma abordagem participativa e avançada. |
O que o Brasil e a Costa Rica podem aprender um com o outro?
Creio que o primeiro passo seria aprender a trocar informação e a compartilhar as lições e os avanços assimilados. Lamentavelmente, na América Latina existem poucas oportunidades para conhecer publicações, experiências e propostas dos diversos países. |
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