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Tecnologia a favor da educação

Financiamento colaborativo online pode ajudar a impulsionar projetos educativos

12/08/2011

12/08/2011

Lélia Chacon

Um modelo de financiamento coletivo para dar vida a projetos ou ações – o crowdfunding -- começa a se disseminar no Brasil com plataformas online como Catarse, Queremos, Movere ou Senso Incomum. O internauta que acessa o site, pessoa física ou jurídica, escolhe o projeto que deseja apoiar e seleciona uma quantia para investir. Pode haver diferenças de procedimento, mas o mecanismo funciona em geral assim: o investidor recebe em troca alguma vantagem, que pode ser a participação em um evento, um produto finalizado ou apenas a satisfação de se tornar colaborador de uma causa. Se o projeto não conquista o financiamento necessário num prazo estabelecido, o dinheiro volta para o dono ou ele concorda que o recurso componha um fundo para financiar outras ações.

Nas plataformas, há espaço para projetos culturais diversos, pequenos negócios, empreitadas como pesquisar boas soluções para melhorar a vida das pessoas nas grandes cidades. No site Catarse, por exemplo, um grupo de estudantes de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul pede atualmente colaboração para participar do S.O.S Ciudades 2011, que se realizará na Amazônia peruana. No encontro, professores e estudantes debatem e buscam soluções urbanísticas para a cidade que abriga o evento.

No site Senso Incomum, o crowdfunding é social. Na plataforma, um educador que oferece formação profissionalizante a jovens e adolescentes de baixa renda pede colaboração para adquirir material para as oficinas gratuitas de canto, percussão, violão, teclado e circo do projeto.

Iniciativas na área de educação ainda são poucas nas plataformas de crowdfunding, mas a discussão sobre o potencial do financiamento colaborativo no setor começa a ganhar evidência nos blogs de interesse sobre o tema.

Uma ideia que circula, talvez inspirada no site Qifang, que usa a ferramenta para apoiar as necessidades acadêmicas e profissionais de estudantes, é instituir o crowdfunding como opção às bolsas de estudo e ao financiamento estudantil (Fies). Nessa aplicação, o projeto poderia ser o estudante de escola pública que precisa de recursos para fazer um curso técnico ou mesmo o aluno do colégio privado que quer fazer uma especialização no exterior. A plataforma permitiria que o investidor acompanhasse de perto o percurso do seu “projeto” na escola e até no mundo do trabalho.

Professores também podem se valer da ferramenta inovadora para implantar seus projetos pedagógicos. Um exemplo vem da França, no Ulule, reconhecida como a maior plataforma de crowdfunding na Europa, sob o slogan “donnez vie aux bonne idées”. No site, duas professoras de uma escola maternal dirigida a alunos portadores de deficiência pedem recursos para um projeto que costumam realizar anualmente na instituição: oferecer aos alunos um dia de descobertas. Este ano, com dificuldades financeiras, elas solicitam um complemento de 2000 euros para o transporte e as atividades esportivas incluídas no programa -- conhecer a neve nos Vosges. Com mais de 600 visitantes por dia, o Ulule já tinha arrecadado cerca de 700 euros para as mestras dedicadas.

Nos EUA, o foco da plataforma Donors Choose são as escolas públicas. Eles mobilizam ajuda de todos os tipos: uma caixa de lápis, violinos para um recital escolar, um microscópio para aulas de biologia. No Brasil, as demandas do setor sobram. Um modelo de crowdfunding para acolhê-las e resolvê-las seria bem-vindo. Sem burocracias, apenas reunindo quem quer ajudar e quem precisa de ajuda.