Você está aqui: Página Inicial Acervo Edição 21 Na rua, sem direitos

Na rua, sem direitos

Primeiro censo sobre crianças e adolescentes de rua revela que mais de 10% deles não conseguem nem se alimentar todos os dias

12/08/2011

12/08/2011

Direitos fundamentais como alimentação, saúde, educação e higiene pessoal, reconhecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda não foram garantidos para as cerca de 24 mil crianças e os adolescentes em situação de rua no País, segundo revela a Primeira Pesquisa Censitária Nacional sobre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, realizada entre maio e junho do ano passado e apresentada recentemente ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O servirá de subsídio para aperfeiçoar as políticas públicas voltadas para essa parcela da sociedade.

De acordo com o censo, 13,8% dos jovens não conseguem se alimentar todos os dias. A maioria deles não tem documentos (64,8%). A certidão de nascimento é o documento mais comum entre os jovens - 78,1% foram registrados ao nascer. Quando doentes, 30,2% procuram em primeiro lugar a família.

A educação também é um problema grave. A maioria dos jovens em situação de rua não sabe ler e escrever (76,7%) e 12,3% sabem apenas assinar o nome.

Panorama

O levantamento indica que 23.973 crianças e adolescentes estão em situação de rua. Dessas, 71,8% são do sexo masculino e 28,2% do sexo feminino. A maioria dos entrevistados declarou ser pardo ou moreno (49,2%) e estudou até a 4ª série (39%).
Vendas de produtos de pequeno preço, como balas e chocolates, lavagens e limpezas de vidros de carros e coletas de materiais recicláveis são algumas atividades realizadas por meninos e meninas para conseguir dinheiro, seja para próprio sustento ou para o da família.

Outro destaque do censo é o relacionamento dessas crianças e adolescentes com seus familiares. Segundo a pesquisa, mesmo em situação de rua, a maioria dos menores de idade (52,2%) retorna para a casa da família para dormir; outros (6,9%) dormem em casas de parentes ou amigos. Da mesma forma, a maior parte dos entrevistados (55,5%) declarou que mantêm um relacionamento bom ou muito bom com os pais. Mas um dos principais motivos apontados por aqueles que deixaram de dormir na casa da família foi a violência, como: brigas verbais com pais, mães e irmãs/ãos (32,2%); violência doméstica (30,6%); e violência e abuso sexual (8,8%).

Com informações do Portal da Criança e do Adolescente


Fonte: Adital/ Portal da Criança e do Adolescente/ O Povo, CE