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Educação no mapa

Instituto Desiderata cria sistema online de indicadores educacionais para acompanhar qualidade do ensino fundamental no Rio de Janeiro.

11/08/2011

11/08/2011

O Instituto Desiderata lança nesta sexta-feira, 13, às 14h, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), um sistema virtual de indicadores educacionais para monitorar o ensino fundamental público em todas as regiões administrativas da cidade do Rio de Janeiro. Participam do evento a Secretária de Educação Básica do MEC Maria do Pilar Lacerda, a Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, especialistas, escolas e organizações sociais.

Na área de educação, o Desiderata tem dado atenção ao segundo segmento (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, com projetos bem desenvolvidos como o Megafone na Escola, que envolve toda a comunidade escolar na identificação de problemas e busca de soluções. O sistema online de indicadores educacionais representa mais um instrumento para monitorar o desempenho das escolas, orientar as políticas para o segmento e direcionar as ações públicas para as diferentes necessidades educacionais da cidade.
Por território

O sistema é territorializado, isto é, baseado em mapas da cidade do Rio, segundo modelo já desenvolvido pela organização Rio Como Vamos. Os dados permitem visualizar, pelas 33 regiões administrativas do município, os indicadores educacionais de um universo de mais de 400 escolas de ensino fundamental. O Instituto Desiderata fará a atualização das informações anualmente.

Para a criação do sistema, foram considerados indicadores de rendimento (aprovação e reprovação), de situação dos alunos (abandono e distorção de idade) e de desempenho (Prova Brasil e Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Ao mesmo tempo, foi feito um levantamento da estrutura disponível, a partir dos equipamentos existentes nas escolas.
Alguns indicadores

O Instituto Desiderata adianta alguns dados que os usuários poderão encontrar no sistema online, como o referente ao Ideb 2009 do segundo segmento do ensino fundamental na cidade do Rio, que ficou entre 3,3 e 3,9 para 404 escolas estudadas. Nesse universo, 96 escolas ficaram acima da média (23,76%), 147 ficaram na média (36,39%), 127 ficaram abaixo da média (31,44%) e 34 não tiveram avaliação (8,42%), como indica o mapa a seguir.
Quando analisadas as escolas pelo número de alunos matriculados, o sistema mostra o peso do território no contexto da cidade: quatro regiões administrativas (Realengo, Santa Cruz, Ilha do Governador e Engenho Novo) respondem por mais de 50% de todos os estudantes que estão em escolas com IDEB abaixo da média.

Dados como esses podem ser usados para definição de prioridades de ação, levando ainda em conta as desigualdades internas das regiões administrativas. Por exemplo, na região da Ilha do Governador, o que está impactando o Ideb abaixo da média são o desempenho de escolas de Ramos e Inhaúma apenas. O mesmo ocorre com a região de Realengo, onde Bangu concentra o maior número de alunos em escolas abaixo da média.
Fotografia

Os dados oferecidos pelo sistema, de acordo com o Instituto Desiderata, permitem compor uma fotografia da realidade educacional no ensino fundamental da cidade do Rio. Podem fazer parte da foto informações como:

- Os índices de reprovação são superiores a 20% em todas as Coordenadorias Regionais de Ensino (CREs). O pior índice é de Realengo (26,65%) e o melhor, da Barra (20,03%);
- A reprovação tem grande concentração no 6º ano: cerca de 40% de todas as reprovações do segundo ciclo do ensino fundamental ocorrem nesse momento;

- A análise por Região Administrativa (RA) mostra disparidades intraurbanas significativas: vai de 11% em Paquetá e 15% na Barra para 39% no Complexo do Alemão e 53% em Santa Teresa.

- Os índices de evasão/abandono variam de 1,66% em Madureira a 5,09% em Santa Cruz, no total do 6º ao 9º ano; de um modo geral, como na reprovação, há maior concentração no 6° ano;

- Em algumas CRES, como Barra da Tijuca e Praça Mauá, o 9º ano também apresenta piora do indicador de evasão e constitui na média o segundo pior ano para o abandono escolar.
- Segundo analise por RA, os índices de evasão/abandono variam de 0,94% no Complexo do Alemão, a 5,78% em Santa Cruz e 6% na Maré;

- Em 11 RAs, a evasão/abandono no 9º ano supera o índice do 6º ano.

- O indicador de não aprovação (soma de abandono/evasão e reprovação) mostra concentração em áreas como Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Ramos;

Para o Instituto Desiderata, as informações por território no sistema online permitem que a ação governamental para a melhoria da educação tenha maior impacto. A partir de causas identificadas em 4 RAs da cidade, por exemplo, uma iniciativa poderia gerar resultados em mais de 50% do total de escolas da cidade do Rio de Janeiro.