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Aluno faz política própria por ensino de qualidade

Projeto criado por irmãos há quatro anos, o Olímpicos de Santa Isabel (OSI), rende 160 premiações em olimpíadas científicas.

11/08/2011

11/08/2011

 

Lélia Chacon

 

 O brasileiro Marco Antonio Lopes Pedroso, 19 anos, está há pouco mais de seis meses nos EUA, fazendo uma graduação em engenharia elétrica e outra  em ciências da computação. Entre as bolsas conquistadas em sua jornada escolar, a última foi para estudar no Massachusetts Institute of Technology  (MIT), um dos principais centros de tecnologia do mundo.  De lá continua a liderar o projeto que ele e o irmão mais novo Álvaro fundaram há quatro anos, o Olímpicos de Santa Isabel (OSI), um cursinho preparatório gratuito para olimpíadas científicas, que já rendeu 160 premiações (computadas até 2009) a estudantes do município de Santa Isabel, SP, em áreas como matemática, informática, astronomia ou física.

Os irmãos já conquistaram dezenas de premiações em olimpíadas no Brasil e no exterior. Com elas conseguiram bolsas de estudo para cursar o ensino médio em escolas de primeira linha de São Paulo, a partir de projetos sociais educativos que financiam o estudo de alunos de baixa renda e grande talento.

Álvaro acabou de ingressar na USP para cursar engenharia. Marco Antonio entrou no ITA de São José dos Campos antes de chegar ao MIT. São oportunidades como essas que eles quiseram abrir, com o OSI, a outros estudantes, por verem nas competições os desafios capazes de estimular a vontade de aprender.

Marco Antonio e Álvaro começaram o OSI lecionando para uma turma de 40 alunos. Hoje há processo seletivo concorrido para a formação de seis turmas, alunos de 14 escolas de Santa Isabel, sendo três particulares, uma municipal de ensino fundamental e 10 estaduais de ensino médio.

Em 2010, cerca de 800 candidatos participaram da seleção. Os pais dos garotos dão apoio à organização do projeto. Jovens voluntários, colegas dos irmãos campeões olímpicos ou ex-alunos do OSI, encarregam-se das aulas nas manhãs de sábados e domingos.

Na universidade americana, Marco Antonio continua a buscar parceiros professores e faz questão de acompanhar a qualidade das aulas no OSI. Ainda dá uma "canja voluntária" no MIT, em um projeto de orientação vocacional para alunos de escolas públicas.

Sua ação também já inspirou projetos semelhantes, como o Vontade Olímpica de Aprender (VOA), desenvolvido em duas escolas estaduais do município de São Paulo, com a colaboração voluntária de outros jovens medalhistas olímpicos.

Em Santa Isabel, a Escola Estadual Professora Gabriela Freire Lobo cede as salas para o OSI nos fins de semana. Dalva de Camargo Akl, diretora há oito anos, diz que o projeto está mudando a escola e a cidade.

"Todos se mobilizam. Parceiros oferecem alimentação e moradia para os jovens que vêm de outras cidades dar aulas. Os professores, observando as aulas do projeto, estão usando mais recursos tecnológicos nas suas classes, e os alunos gostam", conta Dalva.

A evasão em sua escola é praticamente zero: "Não era muita, porque eu sempre fui do tipo de ir buscar o aluno em casa, se necessário. Mas com o OSI, todos se sentem mais valorizados e interessados na escola."

Obs.: Artigo originalmente publicado no jornal Brasil Econômico, em 14/02/2011

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