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Formação integral

Projetos profissionalizantes vão além da capacitação técnica e visam ao desenvolvimento juvenil.

18/07/2011

18/07/2011

O crescimento profissional não se dá apenas pela qualificação técnica, mas inclui uma série de outros requisitos. Assim, os jovens formados para o conjunto de responsabilidades da vida adulta conquistam mais facilmente seu espaço no mundo. Por isso, escolas e organizações preparadoras para o ingresso dos jovens no mercado se preocupam cada vez mais em trabalhar também com os aspectos culturais, os valores e a formação cidadã dos estudantes.

É este o caso do Projeto Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI), dedicado à formação do jovem da área rural. Na lida com o campo e a responsabilidade com a economia local desenvolvem o empreendedorismo e o respeito ao espaço onde atuam. O diferencial consiste em aprender na base familiar, a organizar e pesquisar na escola e, assim, transformar o meio social.

Também a Juventude Cívica de Osasco (JUCO), responsável pelo Projeto Jovem Aprendiz, defende que estar pronto para o mercado não é saber apenas desempenhar funções na empresa, mas ser um cidadão participante, engajado inclusive em trabalhos voluntários.

O Centro Profissionalizante Rio Branco (CEPRO), mantido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo, adota a filosofia de servir por meio da educação, formando cidadãos com valores éticos e solidários. O objetivo é desenvolver jovens profissionais, conscientes e capacitados para participar do crescimento social e contribuir para a superação da pobreza.

Para atender o mercado varejista, o Instituto Walmart implementou a Escola Social do Varejo. O programa foca no modo como o jovem se relaciona com sua comunidade e consigo mesmo, na maneira como planeja seu futuro e sua carreira. Com isso, os jovens estão mais qualificados para enfrentar os desafios do mercado.

A seguir, conheça os projetos.

JUCO – Programa Estagiário e Jovem Aprendiz – Osasco, SP

Foto: Divulgação A Juventude Cívica de Osasco (JUCO) é um agente de integração empresa-escola que oferece aos jovens formação e capacitação profissional, preparando-os para a inserção no mercado de trabalho, por meio dos programas Estagiário e Jovem Aprendiz. Procuram a JUCO estudantes do ensino médio de escolas públicas ou privadas, interessados em ter no currículo algo mais que as matérias ensinadas nas escolas. Eles ambicionam não apenas seguir uma carreira, mas querem saber como atuar nela. Os aspirantes a estagiários passam por uma seleção. Os aprovados são treinados durante quatro meses para ingressar em empresas públicas e privadas como estagiários. Terminados os dois anos de ligação com o Programa Estagiário, o jovem se desvincula da JUCO, que pode encaminhá-lo como aprendiz às empresas, já como mão de obra mais qualificada. O bom desempenho do futuro profissional tem de se refletir também no boletim. “Por ser o Projeto Jovem Aprendiz um complemento extracurricular técnico para formação, o jovem não pode deixar de lado a responsabilidade escolar”, explica Marcelo Rios, gerente administrativo da JUCO. A instituição também traz os pais para dentro da escola. “Quanto mais participativa é a família, melhor o rendimento escolar e profissional”, diz Rios. As empresas parceiras também se comprometem para que o aprendizado adquirido na entidade e no trabalho seja útil na vida prática do adolescente. A taxa de contratação chega a 35% ao ano, entre carreiras jurídicas, administrativas e comerciais.

 

Escola Social do Varejo do Instituto Walmart - Nacional

Foto: Divulgação O programa Escola Social do Varejo originou-se da união da experiência inicial do Instituto Walmart, em parceria com o Instituto Aliança, no trabalho com juventude e da percepção de que o setor varejista tem capacidade de oferecer aos jovens uma carreira de sucesso. Além do que acontece em sala de aula, o programa acompanha a inclusão no mercado de trabalho de jovens de baixa renda familiar, terminando o ensino médio, ou que já o concluíram e que querem trabalhar no varejo. “Mais do que simplesmente se candidatar a vagas disponíveis, os educadores estimulam os jovens a buscarem as empresas e a apresentarem o programa do qual participaram e os motivos pelos quais se consideram preparados para os novos desafios”, explica Paulo Mindlin, diretor de Responsabilidade Social do Walmart Brasil. O programa é desenvolvido nos estados de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Sul e Ceará. Há uma preocupação em observar a demanda existente em cada mercado. Em Salvador, por exemplo, desenvolve-se a formação em perecíveis, em parceria com o Senai, que é uma área de grande demanda por profissionais na cidade. A parceria com as Secretarias de Educação de Pernambuco e Alagoas permite que o programa aconteça dentro das escolas, em turno paralelo. A formação complementar ajuda a compreender que muitas vezes as dificuldades que os jovens encontram ao começar a trabalhar não estão no campo técnico, mas, na capacidade de cada um para lidar com as dificuldades e superar as frustrações.

 

EFAORI – Escola Família Agrícola – Orizona, GO

Foto: Divulgação A meta da Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI) é promover a formação do jovem camponês da região na perspectiva do desenvolvimento local, preservando os valores culturais da população rural. Por meio do curso técnico em agropecuária de nível médio, pretende-se que o aluno aprenda a enxergar as oportunidades em seu meio e tirar dele seu sustento. A escola adota a pedagogia da alternância, com residência dos alunos na escola, alternada com períodos em casa. Por ser um curso de formação integral, logo cedo os jovens aprendem a conviver. Os trabalhos são desenvolvidos em grupo, inclusive lavar pratos. Os alunos são avaliados pelo que aplicam na propriedade e pela participação social. Para participar, é preciso ter vínculo com o meio rural – a família (pai, tio ou avô) deve ter uma propriedade para que o jovem possa desenvolver a prática. Com isso, a família também faz parte da educação dos jovens. Paralelamente à avaliação escolar, os monitores visitam a casa dos estudantes, onde avaliam a prática e o comprometimento no planejamento, implantação e desenvolvimento de seus projetos agropecuários, com viabilidade econômica. São ministradas palestras sobre gestão administrativa e políticas públicas. Para Gisele, secretária geral da EFAORI e formada na escola, “a lição maior que ficou foi a de respeito. Aprender a lidar com as diferenças e a trabalhar em grupo”. A escola planeja melhorar sua infraestrutura, com laboratório de informática, e ampliar para 100 o número de jovens atendidos.

CEPRO – Centro Profissionalizante Rio Branco – São Paulo, SP

Foto: Divulgação

Despertar o talento que existe em cada um, levando em conta o ambiente em que vive, é a proposta do Centro Profissionalizante Rio Branco (CEPRO). Iniciado na década de 1940, junto à Fundação de Rotarianos de SP, na Granja Viana, região que na época era rural, teve seus primeiros jovens orientados para as práticas de campo, como avicultura e plantio. As práticas profissionalizantes eram registradas em cada década de atuação do CEPRO. Com o objetivo de incluir o jovem capacitado no perfil do mercado, nos anos de 1970 saíam do CEPRO jovens cabeleireiros e datilógrafos. Nos anos de 1980, recepcionistas, office-boys e técnicos eletricistas eram os jovens profissionais que o mercado demandava. A área de informática caracteriza os cursos na década de 1990. Já nos anos 2000 o jovem encontra no CEPRO cursos de habilitação para o mundo do trabalho, de acordo com a Lei do Aprendiz. Com o apoio do Programa de Capacitação Profissional, os estudantes aprendizes (de escolas públicas de ensino médio) são desenvolvidos como cidadãos e profissionais. Além do currículo básico, que inclui administração e informática, o diferencial do CEPRO é o comportamental. Susana Penteado, coordenadora do programa, explica que no CEPRO o jovem faz seu projeto de vida e reflete sobre o que quer. “Ele faz um mapa do tesouro. Trabalha gestão do comportamento e postura no meio de trabalho, com dinâmicas de grupo”, explica.

Mariana Veltri