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Cidadania viva

A Fundação Tide Setúbal lança hoje em São Paulo livro que reúne a experiência de 22 ONGs com ações socioeducativas em São Miguel Paulista

21/07/2011

21/07/2011

O livro Cidadania Viva: Práticas Socioeducativas em São Miguel Paulista, lançado hoje no CDC Tide Setubal, na zona leste de São Paulo (SP), retrata a atuação de 22 organizações sociais situadas na área de abrangência da Subprefeitura de São Miguel (distritos de São Miguel, Vila Jacuí e Jd. Helena), apresentando suas diferentes práticas socioeducativas.

O Cidadania Viva relaciona-se a um dos princípios norteadores da Fundação Tide Setubal: a valorização das experiências da comunidade de São Miguel Paulista. Representa ainda mais um passo na promoção do desenvolvimento local sustentável, ao incentivar e fortalecer uma rede de apoio ao cidadão, bem como cada uma das organizações.

“Com a disseminação do trabalho das entidades de São Miguel, esperamos inspirar, encorajar e estimular as instituições locais a oferecerem seu saber e suas práticas para a rede, bem como a buscarem aprender com aqueles que atuam na mesma localidade”, relata Maria Alice Setubal, presidente do conselho da Fundação Tide Setubal, na apresentação do livro.

Visibilidade a ONGs

Segundo Beatriz Lomonaco, coordenadora do Núcleo de Estudos e Gestão do Conhecimento, responsável pelo projeto editorial, para dar visibilidade aos atores da comunidade, buscou-se identificar e apresentar as práticas socioeducativas. A intenção do livro não é avaliar as ações, mas apontar os pontos fortes e os desafios. “Estamos gerando conhecimentos e fazendo circular experiências de instituições que estão no mesmo território onde trabalhamos”, comenta.

Para retratar essas experiências em uma publicação com fotos e dados de cada organização, profissionais da Fundação conheceram de perto os projetos, visitando as entidades e conversando com as equipes e os beneficiados pelas práticas. Além do critério geográfico, a coordenação editorial considerou o relato de moradores e lideranças que reconhecem a relevância da entidade para comunidade e tempo de atuação das organizações no território.
Exercício da cidadania

Um ponto em comum entre as organizações selecionadas para o livro é o trabalho socioeducativo, ou seja, a prática sistemática e planejada que busca o desenvolvimento do indivíduo pela educação e cultura. Há organizações que têm como público-alvo crianças e adolescentes, enquanto outras trabalham com adultos ou idosos. Independentemente da faixa etária, o propósito é semelhante: promover a cidadania e a melhoria da qualidade de vida dos moradores da região.

Na leitura, é possível perceber o quanto essas organizações conhecem profundamente os problemas do local onde se situam e das pessoas que atendem. Parte delas, além de desenvolver a prestação de serviço, atua pela garantia de direitos, incentivando a mobilização da comunidade e reivindicando políticas públicas.
Luta constante e desenvolvimento

Ao comparar os históricos das organizações retratadas no livro, é fácil perceber que a maioria nasceu dos movimentos sociais da região, sobretudo em prol de moradia. Com o tempo, os atores foram se organizando e fundaram associações com status jurídico para continuarem a empreender melhorias no bairro. Esse é o caso da Associação Comunitária das Mulheres do Movimento Sem Terra. O início do trabalho ocorreu há 28 anos, quando Dona Neusa, atual presidente, que participou do movimento da Pastoral da Moradia, percebeu que não bastava ocupar a terra, mas também era preciso mudar as condições de vida das famílias por meio da educação.

Também com o desejo de transformar a realidade dos moradores do Jardim Pantanal, Hermes de Sousa fundou o Instituto Nova União da Arte (NUA), que tem contribuído para o fortalecimento da comunidade de União de Vila Nova, onde atua desde 2001. Uma das ações nesta direção é o Fórum de Desenvolvimento Local, um espaço de articulação coletiva e de aproximação com o poder público. Hoje o bairro conta com uma creche, parque e ruas asfaltadas, o que demonstra o processo de reurbanização do local.

Há muitos outros exemplos na publicação de como as organizações locais têm contribuído para o desenvolvimento de São Miguel Paulista. Há entidades com um trabalho estruturado no atendimento a crianças, seja na área educacional ou da saúde, como o Centro Educacional Comunitário da Criança e do Adolescente (CECCRA) Ademir de Almeida Lemos e o Centro de Recuperação e Educação Nutricional Vila Jacuí (CREN). Outras desenvolvem ações para incentivar o protagonismo do idoso, revitalizando também o uso do espaço público, como o Projeto Idoso na Praça, da Associação Beneficente Irmã Idelfranca. Na área cultural, a Kaikan – Associação Cultura Desportiva Nikkei de São Miguel Paulista destaca-se pelo trabalho de valorização de práticas, saberes e rituais da cultura japonesa.

“Ao trazer o retrato dessas entidades, queremos contribuir e estimular a troca de saberes em rede. Elas podem se unir para encaminhamentos conjuntos e terem conquistas mais amplas”, comenta a coordenadora do Núcleo de Estudos e Gestão do Conhecimento. Essa iniciativa exemplifica o trabalho de apoio que a Fundação Tide Setubal procura realizar com as ONGs locais.

O papel das ações locais

Para ampliar o intercâmbio entre as 22 organizações inclusas na publicação, a Fundação Tide Setubal promoverá, no dia do lançamento, uma oficina especial Encontros em São Miguel. Em seguida, as entidades e o público em geral poderão participar de um debate. O tema será: “O papel das ações locais para a educação integral no território”, com mediação de Paula Galeano, coordenadora geral da Fundação Tide Setubal.

Cidadania Viva: Práticas Socioeducativas em São Miguel
Quando: 14 de setembro, terça-feira, das 8h30 às 13h
Onde: CDC Tide Setubal – Rua Mário Dallari, 170, Jd. São Vicente
São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo (SP)
Mais informações: (11) 3168-3655
Como chegar: http://www.ftas.org.br/ftas/site.php?mdl=cdc&op=lercdc&id=11

Programação:
8h30 às 10h30 – Oficina Encontros em São Miguel (exclusiva para 22 ONGs da publicação)
10h30 – Café e recepção dos convidados
11h – Debate: O papel das ações locais para a educação integral no território

Participantes:
- Maria Aparecida Pavão, supervisora de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo;
- Padre Ticão, integrante do Movimento Nossa Zona Leste, líder comunitário com trabalhos na região desde 1978;
- Eloisa de Blasis, consultora do CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), pedagoga e mestranda em Avaliação de Políticas Educacionais.
Mediação: Paula Galeano, coordenadora geral da Fundação Tide Setubal

Fonte: Assessoria