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Laboratório de escrita

Luiz Antonio de Assis Brasil sugere minioficinas para envolver os jovens com a produção de textos criativos na escola.

05/08/2011

05/08/2011

A prática regular e orientada da escrita pode ser a chave para libertar um talento literário ou apenas ajudar o praticante a dominar boa técnica de expressão, diz o professor Luiz Antonio de Assis Brasil, ministrante de oficinas de criação literária na Faculdade de Letras da PUC-RS e autor das aulas de produção de textos criativos aqui sugeridas. Na edição 18 de Onda Jovem, sobre leitura e escrita, é dele o ensaio que reflete sobre a pertinência da oficina literária em sala de aula, que pode ser acessado nesta página.


Aula I - METAMORFOSES


Objetivo
Possibilitar que o grupo conheça algo dos indivíduos que o compõem, ampliando-se, assim, as experiências interpessoais e o conhecimento das possibilidades de transformação do ser humano.

Materiais
Papel e caneta / computador.

Desenvolvimento

1. Explanar brevemente aos alunos o que seja uma metamorfose; o exemplo mais fácil de entender é o de uma lagarta que se transforma numa borboleta;

2. Pedir a cada membro do grupo que escreva a experiência de uma metamorfose pessoal, narrando as etapas de sua passagem da condição humana à condição de um dos elementos da natureza: um animal, o vento, o fogo, uma pedra, uma árvore etc. Cada aluno deverá narrar como se operou a alteração das funções propriamente humanas: respiração, fala, movimentos, sangue, pensamentos, emoções, etc.

3. Estimular a leitura dos textos produzidos;

4. Colher a opinião dos alunos sobre cada texto;

5. Evidenciar que foi realizado, com liberdade e autonomia, um exercício de imaginação, e o quanto o ser humano contém, dentro de si, plenas possibilidades de transformação, tanto no sentido alegórico quanto no sentido concreto de alteração do ritmo de sua vida; e mais: o quanto permanece de nós nas etapas de transformação, por mais radicais que pareçam ser.


Aula II - VIVER & SENTIR


Objetivo
Promover a evocação dos cinco sentidos, dando-lhes, assim, uma dimensão completa e convincente no texto literário.

Materiais
Papel e caneta/ computador

Desenvolvimento

1. Pedir aos alunos que fechem os olhos;

2. Fazer perguntas, em intervalos de 2 minutos entre elas:

a) o que você estava enxergando há pouco? Como eram as formas, os volumes, as cores? Quais os objetos próximos, e quais os distantes?
b) se você estendesse a mão e para tocar um desses objetos, distantes do lugar em que está, qual a sensação? A superfície seria quente ou fria? Lisa ou rugosa? Macia ou rígida?
c) se você aspirar, qual o cheiro que sente, ou estava sentindo? De um café recém-passado? De um perfume? De madeira? De couro? As possibilidades são quase infinitas.
d) se você prestar atenção à sua boca, que gosto está sentindo? Gosto de chocolate, por exemplo? De refrigerante?
e) o que está escutando? Que sons acontecem à sua volta?

3. Pedir que os alunos abram os olhos e narrem essas percepções, em cerca de 25 linhas, usando a primeira pessoa do singular e o presente do indicativo.

4. Pedir que cada aluno leia sua narração, evidenciando-se, assim, se os cinco sentidos foram contemplados. Explicar o quanto, por vezes, a estesia está ausente de nossas experiências cotidianas, e o quanto essas experiências podem ser mais ricas se prestarmos atenção em sua variedade. Por outro lado, poderá evidenciar, a quem possui os cinco sentidos, o quanto a pessoa portadora de alguma deficiência sensória pode apoiar-se nos outros sentidos para uma vida plena e integrada à sociedade.

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