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Labirinto do bem estar

A educadora Paula Bourrol propõe dinâmica para montar com jovens o quebra-cabeça da felicidade

05/08/2011

05/08/2011

O que é felicidade para os jovens? Como a genética, a personalidade, o ambiente, as atitudes e ações, o aprendizado participam dessa história? São essas as principais questões que este plano de aula apresenta aos jovens. As sugestões foram preparadas pela educadora Paula Bourroul ([email protected]), diretora de escola e coordenadora pedagógica de ensino infantil, fundamental e médio.

O trabalho têm como referência o texto Felicidade Futura (Onda Jovem, ed. 12), e os objetivos são discriminar os ingredientes da felicidade, refletir sobre o protagonismo juvenil na construção da vida, conhecer o que as pesquisas dizem sobre as expectativas e perspectivas dos jovens e oferecer noções de uma abordagem da psicologia sobre o bem-estar dos indivíduos e o gerenciamento dos pensamentos e emoções.

A educadora destaca um recado aos colegas educadores: “Aquilo que temos como valores introjetados em relação ao bem-estar individual no mundo, à confiança e ao trabalho pessoal por uma vida plena e pela construção de uma sociedade mais justa e positiva é, necessariamente, revelado em nossas atitudes e palavras com nossos alunos e toda esta postura fará uma grande diferença na abordagem deste tema em sala de aula. Pensem nisso!!!”


ATIVIDADE 1


Objetivo: Introduzir o tema, apontando para o ser único e especial que cada aluno é

Coloque seus alunos sentados em círculo e solicite a cada um que se apresente a seus colegas (que podem ter com eles muitos anos de convivência!), falando de seu nome, se o mesmo lhe agrada, se foi escolhido por seu pai, sua mãe ou outra pessoa.

Reflita com eles o quanto o nome identifica uma pessoa, por conter uma origem, uma história que o indivíduo carrega com base nas expectativas criadas pela família em antes mesmo de ele nascer. Deixe que alguns alunos contem ao grupo como sentem estas expectativas e como se sentem perante as mesmas.
Em seguida, coloque uma música alegre de fundo (que seja do agrado de seus alunos, que você já pesquisou antes) e peça a eles que escrevam em um pequeno papel aquilo que os torna felizes.

Liste as idéias dos estudantes na lousa. Ajuda-os a identificar diferenças nos sentimentos (o que os entusiasma momentaneamente e o que se refere a sentimentos mais profundos e de longo prazo: ter uma namorada, conseguir boas notas, ter uma família unida, alcançar realização financeira, arranjar um bom emprego, fazer um determinado programa...).
Peça aos alunos para fazerem um brainstorm sobre palavras associadas com felicidade e tristeza. Eles podem usar um dicionário para achar sinônimos e antônimos.
Agora você pode propor que se reflita sobre a felicidade em 3 níveis (cada um deles poderá ser discutido por um grupo de alunos):

O que existe de genético ou de personalidade quando se trata de felicidade – há pessoas que, pelo seu jeito de ser e de enfrentar a vida, são mais ou menos felizes? (Segundo Içami Tiba, psicoterapeuta de adolescentes, podemos comparar a personalidade de uma pessoa com a palma da mão e os dedos, com seus diversos papéis e funções. Assim, somos ao mesmo tempo filho, irmão, neto, sobrinho, colega, amigo. Mas todos os papéis são influenciados por um modo particular de ser, sentir e agir no mundo.)

O que é ambiental ou fruto da ação de nossos familiares quando se fala de felicidade – há casas ou famílias que, sendo mais ou menos positivas ou negativas frente às questões da vida, nos fazem ter sentimentos melhores ou piores? (Pais que dividem sua história com seus filhos, falando de suas emoções, frustrações, hesitações, mas ao mesmo tempo de suas conquistas e sonhos, demonstrando uma atitude positiva e de esperança no futuro, com certeza estarão ajudando seus filhos a treinar as mesmas emoções diante da vida).

É possível aprender, desenvolver uma atitude mais positiva frente à vida que nos faça sentir mais felizes? (Aprender a falar de seus sentimentos, a não ter medo de arriscar e errar e a transformar as derrotas em experiências de vida, a confiar no futuro, este é o nosso maior desafio!).

Em seguida, cada grupo poderá demonstrar uma representação destes 3 aspectos envolvidos na questão da felicidade.

Termine este primeiro momento pedindo que, ao som da música inicial, cada aluno faça um desenho sobre o sentimento de felicidade e exponha os mesmos.
Faça um cartaz com dizeres como estes: “PRECISAMOS APRENDER A LINGUAGEM DA EMOÇÃO. QUEM ALMEJA DIAS FELIZES PRECISA APRENDER A CHORAR. QUEM DESEJA SER UM SÁBIO PRECISA RECONHECER A SUA DEBILIDADE. QUEM QUER SER UM MESTRE PRECISA APRENDER A SER, ANTES DE TUDO, UM GRANDE ALUNO NA ESCOLA DA VIDA” – Augusto Cury.

ATIVIDADE 2

Objetivo: Conhecer os dados das pesquisas sobre felicidade futura.
Resgate com seus alunos as idéias que ficaram do encontro anterior e prossiga, propondo a eles a leitura de alguns parágrafos do texto de referência Felicidade futura, de Frances Jones (Onda Jovem, ed. 12). Utilize os 3 primeiros parágrafos, que descrevem a pesquisa do Centro de Políticas Sociais(CPS) e da Fundação Getúlio Vargas(FGV), com base nos dados do Gallup World Poll.

Acrescente a esse dados, se possível, as informações do caderno especial do jornal Folha de São Paulo, intitulado JOVEM SÉCULO XXI, de 27 de julho de 2008, que traz uma pesquisa sobre o brasileiro entre 16 e 25 anos. Nesse caderno, convide os alunos a lerem a matéria do colunista Vinicius Torres Freire, que também apresenta dados, estes mais específicos, em relação às necessidades e expectativas dos jovens brasileiros.

Caso você não tenha acesso a esse jornal, seguem alguns dos dados significativos apresentados no referido artigo:

“O maior sonho dos jovens ouvidos pelo Datafolha é “trabalhar/formar-se” numa profissão. Ter uma casa, terminar os estudos e fazer família são as outras aspirações maiores”.

“Sucesso profissional na carreira ou apenas ter um bom emprego (fixo, com carteira, numa boa empresa, com bom salário) ocupam o segundo lugar dos maiores sonhos”.

“... para 40% dos jovens, o sonho maior é resolver uma ansiedade compreensível e convencional para a idade – e, provavelmente, não só para essa idade: cuidar da vida, encontrar um lugar ao sol, ter um emprego decente e definir sua identidade por meio do trabalho de que gosta”.

Agora convide os alunos a contar quais são suas principais expectativas em relação ao futuro. Eles poderão formar pequenos grupos e criar poesias ou rapps para expressar essas aspirações de forma mais dinâmica e envolvente para eles.

Atenção: É possível que alguns alunos ou parte deles apresentem motivos externos para ter pouca expectativa positiva em relação ao futuro -- o exemplo fracassado de seus pais, os modelos de políticos desleais, a falta de emprego, a violência urbana, a corrupção desenfreada... Sabemos que os adolescentes precisam ter valores com que se identificar e que nossa sociedade está bastante desesperançada. Assim, qual perspectiva lhes resta? Segundo Lucia Rito, “é extremamente angustiante para o adolescente perceber que o mundo que o cerca está esfacelado. Eles são muito observadores, têm um senso de justiça muito aguçado e, à medida que vão crescendo e tendo consciência de que vão ter que se virar sozinhos, entram em pânico. A falência de valores da sociedade também os amedronta”.

Veja: Acolha com tranqüilidade todas as colocações e observações feitas por seus alunos em relação ao mundo adulto que observam à sua volta, sem desconsiderar ou desqualificar nenhuma delas, e procure, com clareza e objetividade, sensibilizá-los para o fato de que eles, exatamente por estarem crescendo, devem se preparar para serem os adultos que logo estarão na ativa profissionalmente, tomando decisões e assumindo posições importantes em seu meio social, contribuindo para a retomada de valores positivos na sociedade em que vivemos. Independentemente da crise de nossa sociedade, é preciso acreditar que podemos, sim, fazer a diferença, buscando batalhar por aquilo que gostamos e queremos fazer, não abrindo mão de nossos ideais e sonhos.


ATIVIDADE 3


Objetivo: Olhar o jovem como protagonista do seu futuro.

Coloque em sua classe o poema abaixo, deixe-o por um tempo exposto para que os alunos tenham acesso a ele (você poderá voltar ao texto mais tarde, quando o trabalho estiver mais encaminhado, quando será mais rica uma discussão sobre o conteúdo):
JOVENS CORAÇÕES
Jovens são pedaços

Pedaços de um rumo não muito exato

Talvez, pedaços sem rumo.

Pedaços,

Pedaços incertos

De uma incerteza ainda maior.

Os sonhos ganham lugar para ser

Têm movimento, ultrapassam a vida.

Ilustres e genuínos

São reflexos peculiares

Do desafio que é ser adolescente

E só permanecem se realmente forem conquistados

Jovens...

...Um labirinto para perseguir e descobrir

...Um mistério a decodificar

... Escolhas a fazer

... Algo para ser

...Um mundo a decifrar, definir e melhorar

...Um papel social a conquistar

Pedaços...

Pedaços de ideologia,

Pedaços de um sonho,

Pedaços de medo,

Pedaços de ilusão,

Pedaços de liberdade,

Pedaços de segredo,

Pedaço legítimo a se transformar.
(Rasgando os Tempos Modernos, Roberta Akemi Saito, In: Adolescência – Prevenção e Risco, Maria Ignez Saito e outros. Ed. Atheneu).

Levantar com os alunos, em grupo grande (e com registro na lousa), quais são os deveres que os adolescentes e jovens carregam nesta fase de vida, pelos quais são cobrados, em casa e na escola (como filhos, irmãos, alunos, decisões a serem tomadas, escolha profissional a ser feita, necessidade de trabalhar para colaborar em casa...). Identifique que, ora são vistos como maravilhosos e sonhadores, e ora como irresponsáveis e imaturos. Os adultos gostariam que logo se tornassem autônomos e competentes, reais protagonistas de fatos e situações de suas vidas.

Segundo M. Ignez Saito, “a palavra protagonismo tem raiz grega – proto, que significa principal, e agon, significando lutador; protagonista é aquele que é lembrado como lutador ou personagem principal, tanto das tragédias, quanto das comédias”.

Reconhecer que, sem dúvida, o adolescente aumenta progressivamente sua capacidade de interferir de forma ativa em seu contexto e é preciso que os educadores, pais e professores, abram, também progressivamente, espaços para o desenvolvimento do protagonismo dos jovens, a fim de que os mesmos , ainda que sob os cuidados dos adultos, possam, com liberdade e responsabilidade, treinar tomar decisões sobre a própria vida, ter iniciativas e agir de maneira pessoal no mundo.

É importante afirmar a eles que, sem dúvida, são os adolescentes e jovens o principal continente para qualquer transformação social e será preciso que eles, paulatinamente, assumam esta condição.

Ainda, segundo Saito, “essa situação torna-se muito clara em um país como o Brasil, que conta com aproximadamente 36 milhões de adolescentes, sendo, portanto, extremamente relevante para os destinos dessa nação o que esse agrupamento pensa, sente e faz acontecer... É necessário que se acredite mais nos adolescentes, na sua qualidade e dignidade nesse momento tão singular e turbulento da história. Somente a partir dessa crença surgirão espaços reais para seu crescimento e protagonismo... É preciso ter-se definitivamente presente que os adolescentes são cidadãos capazes, ou podem, freqüentemente, serem resgatados para sê-lo. O processo educativo e participativo, que deve envolver o adolescente, enfatiza a autonomia por meio das vivências, das reflexões, do compromisso e da responsabilidade, sustentados pela liberdade de escolha”.

Faço questão de trazer as palavras desta médica, M. Ignez Saito, especialista em adolescentes, salientando que, para os educadores, a leitura de todo o capítulo do qual extraí esta reflexão seria altamente recomendável: Adolescência e Projeto de vida: O Adolescente como Protagonista e Agente de Transformação, M. Ignez Saito, no livro: Adolescência – Prevenção e Risco, da mesma autora, Ed. Atheneu, 2008.
Retomando a idéia do protagonismo juvenil, é preciso que os adolescentes, aos poucos, tanto em casa quanto na escola, se disponham a tomar decisões e agir de forma cada mais responsável e madura, abrindo seus espaços no mundo adulto para se tornar os esperados agentes transformadores da sociedade. É preciso que eles acreditem em sua força como agentes de mudança e ajam de forma a ampliar a forma de os adultos vê-los, ouvi-los, senti-los e apoiá-los.

Em seguida, procure trabalhar com os jovens a idéia de projeto de vida, associando a noção de projeto a um processo, muitas vezes longo, mas formado de passos em cadeia, garantindo, paulatinamente, sua realização e sucesso.
Esclarecer a eles que seu projeto de vida (envolvendo realização pessoal, afetiva, social e profissional) será um longo trabalho pessoal de construção, a partir de sua história de vida, estimulado pelas condições e alternativas oferecidas pelo seu ambiente familiar e social e a utilização adequada de toda sua força e determinação internas.

Você pode propor que cada um deles registre suas próprias idéias acerca de seu projeto de vida, tentando enumerar pequenos passos na direção de seus objetivos. Eles devem ter claro que terão dificuldades a enfrentar, terão acertos e erros pelo caminho, angústias e alegrias, limitações e possibilidades... e deverão chegar a pensar como devem permanecer positivos e confiantes em seu próprio processo e força interna para continuar a caminhada rumo aos seus sonhos e ideais.

Também deverão contemplar momentos de revisão, de reflexão, de olhar para trás, perceber o caminho já percorrido, olhar à frente e redimensionar seus passos, fortalecendo suas convicções ou alterando, em alguma medida, os próximos passos, sem perder de vista seu foco. (Esta etapa do trabalho poderá ser mais longa, podendo haver a previsão de um ou mais momentos em que os jovens trocarão com outros suas impressões, mostrarão seus mapas pessoais, com suas observações para que troquem experiências e se enriqueçam com diferentes projetos pessoais).
Há um pequeno livro que poderá ainda contribuir para uma reflexão significativa sobre o amadurecimento, a tomada de decisões na vida, as tentativas, fracassos e a força interna que determina nossas motivações e ações. Trata-se de O Desafio do Mar, de Vilmar Berna, Ed. Paulus. Esta pequena-grande obra compara o amadurecimento pessoal de um indivíduo à construção de um barco, e a necessidade de o barco lançar-se ao mar à partida necessária da pessoa em busca de seus sonhos e realizações...

Seguem alguns trechos do livro para sua inspiração:

“A construção de um navio parece com a formação das pessoas. Durante a gestação o casco é construído, até que somos lançados ao mar. A maior parte de um navio é colocada depois, como acontece com a gente. Camarotes, porões, motores, guindastes, pintura, enfeites, são acrescentados durante a infância e adolescência, até o navio ficar pronto para a primeira viagem. Um navio fica pronto quando sai do estaleiro, mas com a gente é diferente – e este é o desafio de cada um -, pois crescemos todo dia e nunca ficamos prontos. Apesar disso, é preciso partir...
Alguns, mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados e logo somem no horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa de viver. Outros navios também saem logo que podem, mas ficam dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Acabam navegando só para comprar mais combustível todo dia, e o que ganham mal dá para reformar o casco.
Os maiores desperdiçadores de seus próprios recursos são aqueles que não sabem o que querem... e o pior é que, quando a gente não sabe direito o que espera do rumo que está tomando ou nem se tem um rumo, não pode corrigir a rota se estiver no caminho errado...

Nós somos os maiores responsáveis pelas tempestades que não conseguimos evitar...
Então a primeira coisa a fazer é tornar-se comandante de si próprio e isso equivale a pensar com a própria cabeça, ser timão e timoneiro, assumindo riscos pelos erros, pois só erram os que têm a coragem para ousar e, se caírem, levantar e tentar de novo – sempre... pois ninguém sabe nossa autonomia no mar, nossa capacidade de carga, ou a que velocidade podemos singrar as águas dos oceanos, sejam azuis ou escuras.

Ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos e, por mais que digam o que temos – ou não temos – que fazer, ninguém pode viver a vida em nosso lugar”.


ATIVIDADE 4

Objetivo: A psicologia positiva e a proposta de auto-conhecimento
Neste momento podemos passar aos alunos algumas informações interessantes e úteis sobre um novo estudo dentro da Psicologia: o estudo científico das forças e virtudes próprias do indivíduo, que surgiu a partir de 1998 (portanto, um estudo muito recente!), nos EUA, com Martin Seligman, num esforço de compreender cientificamente os caminhos que levam o homem à felicidade, ao bem-estar subjetivo.

Você pode propor aos alunos pesquisar sobre este conteúdo na internet com o tema Psicologia Positiva, ou passar a eles os dados mais significativos, dentre os quais saliento alguns, por mim pesquisados:

É a exploração do lado positivo da vida, o cultivo do que há de melhor em cada indivíduo;
Abrange ainda, o trabalho, a educação, a introspecção, o amor e o crescimento;
Para Seligman a PP tem 3 pilares: o estudo da emoção positiva, o estudo dos traços positivos(forças, virtudes e habilidades) e o estudo das instituições positivas(a democracia, a família e a liberdade, que dão suporte às virtudes e apóiam as emoções positivas);
Felicidade e bem-estar subjetivos são termos intercambiáveis e incluem sentimentos positivos (êxtase e conforto, por exemplo) e atividades positivas (absorção e dedicação, por exemplo);
O bem-estar positivo pode favorecer a maneira como vemos a nós mesmos e as outras pessoas e pode resultar em maior prazer em vivenciar as situações cotidianas e nossos relacionamentos;
Pessoas com bem-estar elevado parecem ter melhores relações sociais e relações sociais positivas mostram-se necessárias para o bem-estar;
Participar de diferentes grupos é um fator favorável para o bem-estar subjetivo;
Existe uma baixa correlação entre indicadores econômicos e diferentes formas de bem-estar;
A felicidade implica emoções e estados cognitivos positivos;
A estrutura básica de personalidade forma a condição para a pessoa ser caracteristicamente feliz ou não;
Experimentar emoções agradáveis a maior parte do tempo e não experimentar emoções desagradáveis freqüentemente é fato suficiente para relatos de felicidade;
Emoções positivas, como alegria, otimismo, esperança, dentre outras, fortalecem nossos recursos intelectuais, físicos e sociais dos quais podemos lançar mão quando uma oportunidade ou uma ameaça se apresentam no ambiente;
O cultivo das emoções positivas promove uma disposição mental expansiva, tolerante e criativa, deixando as pessoas abertas a novas idéias e experiências;
Pesquisas apontam que otimismo é uma habilidade que pode ser ensinada e aprendida;
As pessoas podem conquistar uma vida feliz por meio do cultivo de emoções positivas em relação ao passado (satisfação, contentamento, realização, orgulho, gratidão, perdão), presente (alegria, calma, entusiasmo, prazer, gratificação) e futuro (otimismo, esperança, fé, confiança);
Feliz é aquele sujeito que “coloca numa balança” os momentos de sua vida e a vê pender mais para o lado da felicidade. É alguém que tem problemas, vivencia situações e momentos tristes mas, ainda assim, sente-se feliz.

Depois de levantar com seus alunos os principais princípios da Psicologia Positiva, proponha a eles que se observem, cada um individualmente, pensando em como costuma reagir diante dos fatos de sua vida cotidiana: alegrias e realizações, frustrações e tristezas, medos e riscos... Procure que cada jovem se coloque como alguém que, comumente, “vive de bem” ou “vive de mal” com o mundo e com a vida.

Analise com eles que, quem vive de mal com o mundo tem sempre do que reclamar, em qualquer hipótese. Para esta pessoa, tudo costuma ir mal e ela entra em um círculo vicioso, vibrando sempre em uma energia ruim; atraindo, inclusive, para si, coisas negativas.

Mas é possível escolher ver o mundo de maneira positiva, optando por estar de bem com a vida. Uma pessoa positiva, bem-humorada e de bem com a vida atrai e mantém perto de si as energias positivas. Ter boas expectativas e contornar as dificuldades com atitudes positivas faz toda diferença!
Segundo Lauro Trevisan: pensar positivamente é um hábito inteligente, felicidade é o mais positivo dos pensamentos, é preciso sonhar grande para ser grande e o sucesso só nasce na mente positiva! O livro Sem pensamento positivo não há solução, deste autor, da Ed. Da Mente, mostra claramente que é possível a todo ser humano escolher ser positivo e investir no desenvolvimento do hábito de pensamentos e atitudes positivas. Se tiver acesso a este livro, será interessante, uma vez que poderá este assunto ser desdobrado ainda mais!

O próximo passo poderá ser trabalhar com 3 grupos de alunos, cada um deles focando um autor que aborda o treinamento da atitude positiva, do qual destaco alguns exemplos:

Simão de Miranda Neto – “ Dicas para sua auto-estima: um guia para fazer a diferença no seu dia-a-dia”

“Em casa:

Alimente as melhores relações na sua família;
Evite programas de TV de qualidade duvidosa. Roubam nosso tempo, furtam nossa inteligência, empobrecem nossa alma;
Seja amigo da leitura. Tenha muitos livros. Uma casa sem livros – segundo Cícero, poeta romano – é um coração sem alma;

Com os amigos:

Respeite incondicionalmente as diferenças. Mostre-se rigorosamente contra qualquer tipo de preconceito;
Reconheça e incentive o sucesso dos outros;

Sempre:

Aprenda sempre a perder para aprender a ganhar;
Mostre iniciativa e coragem;
Permita-se se encantar com cada descoberta sua. São etapas preciosas de uma caminhada que vai levá-lo longe;
Sonhe. Sonhe muito. Mas seja o personagem principal de seus sonhos;

Na escola:

Não tema situações novas. São as experiências mais extraordinárias;
Não adie seus compromissos escolares. O tempo não roda ao contrário;
Seja curioso. Interesse-se pelas perguntas para as quais ainda não tem resposta;
Faça a sua parte em manter o ambiente educacional limpo. O bem-estar faz o estar bem;
Não tema o erro. Na educação, como na vida, ele é seu melhor professor, se souber tirar dele suas melhores lições;
Nas aulas, pergunte, pergunte, pergunte. Pergunte muito. Mas não pergunte o tempo todo”.

Roberto Shinyashiki – “O que as pessoas devem fazer para realizar seus sonhos”

“É preciso ter quatro “D”: determinação, dedicação, disciplina e desprendimento.
Determinação é aquela força interior capaz de levar alguém a afirmar com convicção: “Este é o meu sonho. Não morro sem realizá-lo, mesmo que demore vinte, trinta anos”.

Dedicação é a capacidade de se entregar à realização de um objetivo.

Não conheço ninguém que tenha progredido na carreira sem trabalhar pelo menos doze horas por dia nos primeiros anos. Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho sem sacrificar sábados e domingos pelo menos uma centena de vezes...

Disciplina é a capacidade de seguir um método... Ter método evita desperdício de energia...

Desprendimento é a capacidade de abandonar o que não está funcionando para aprender o novo. É desapegar-se de certa maneira de fazer algo para conseguir um resultado melhor...

Augusto Cury – “Três técnicas de treinamento e gerenciamento dos pensamentos e das emoções”

“Primeira: Duvidar de tudo que não promove a vida

Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, enfim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete.

Segunda: Criticar a passividade do eu

O “eu” representa a vontade consciente. ... precisa deixar de ser passivo, tímido e submisso diante dos pensamentos... Cada pensamento que nos incomoda deve ser questionado com ousadia e determinação ...

Terceira: Determinar dar um choque de lucidez na emoção

... Não seja passivo diante de suas dores, determine o que você quer sentir.

... Não é possível nem desejável controlar completamente a emoção... nossa emoção não é obrigada a viver o conteúdo dos pensamentos negativos e das fantasias destrutivas. Deixe a emoção solta para que você possa amar, ser tolerante e tranqüilo, mas não a deixe solta para dirigir a sua razão... ”.

Observe que o conteúdo dos textos selecionados acima têm uma relação entre si: se cada grupo de alunos trabalhar com um dos textos, você poderá solicitar que os grupos, em seguida, busquem uma forma de apresentar os mesmos ao grupo maior, de maneira significativa e envolvente, utilizando qualquer tipo de recurso visual, auditivo, tecnológico, corporal,...
Agora volte ao cartaz que você fez com o poema sobre a adolescência e peça que os seus alunos comentem o que quiserem sobre o mesmo: como se sentem como jovens, suas angústias e expectativas, seus sonhos e frustrações...
Para terminar, proponha aos alunos olhar um desenho que você fará: um grande círculo todo preto com um pequeno ponto branco no centro. Reflita em seguida com eles: com certeza eles terão sua atenção dirigida para o ponto branco, embora o círculo preto tenha uma área incomparavelmente maior. Avalie com eles que tudo é uma questão de foco e leia a seguinte reflexão:
Foque no melhor
O que você procura ver quando você olha para outra pessoa?

Você focaliza em seus pontos fracos, suas falhas e fraquezas, ou você procura enxergar algo de bom, que o valorize e dignifique?

Quando você valoriza e ressalta o melhor nos outros, eles vão retornar o melhor na situação.

Em que você pensa quando analisa uma tarefa a ser realizada?

Você se concentra nos problemas, nos obstáculos e nas desculpas para não realizá-la ou você pensa na oportunidade única que essa tarefa representa?

A forma pela qual você encara o seu trabalho e os seus desafios fazem diferença significativa nos resultados que você obtém.

O que você procura quando você olha para si mesmo?

Você se atém em suas falhas ou você pensa nas suas possibilidades?

A qualidade de sua vida depende em grande parte do que você enxerga e do que você espera de você mesmo.

Procure se concentrar no melhor, esperar o melhor e obterá o melhor de você, dos outros e das diferentes situações.

Indicações bibliográficas para os educadores:

- Berna, Vilmar: O desafio do mar – SP – Ed. Paulus, 1987
- Cury, Augusto: Treinando a emoção para ser feliz – SP – Academia de Inteligência, 2001
- Miranda, Simão de e Ribeiro, Nye: Quem sou eu? Identidade e auto-estima da criança e do adolescente – SP – Ed. Papirus, 2006
- Shinyashiki, Roberto: O sucesso é ser feliz – SP – Ed. Gente, 1997
- Saito, M. Ignez e outros: Adolescência: Prevenção e risco – SP – Ed. Atheneu, 2008
- Tiba, Içami: Adolescentes: Quem ama, educa! – SP – Integrare Ed., 2005
- Tillman, Diane: Atividades com valores para estudantes de 7 a 14 anos – Programa Vivendo Valores na Escola – SP – Ed. Confluência, 2004
- Trevisan, Lauro: Sem pensamento positivo não há solução – RS – Ed. Da Mente, 1996





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