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Apoio estratégico

Quatro projetos indicam caminhos para estimular o interesse dos jovens pelo estudo

26/08/2011

26/08/2011

Lélia Chacon

Quando se trata de educação, a melhor parceria é aquela que se estabelece entre o professor e o aluno na escola. É também a que pode levar os maiores desafios ao educador, principalmente quando o aluno é jovem e tem na escola o principal território, fora de casa, para vivenciar a diversidade de experiências que vão ajudá-lo a construir sua identidade. Nesse contexto, o aprendizado costuma ficar em segundo plano, e fazer o jovem se interessar pelos estudos torna-se a tarefa que mais aflige os educadores, segundo aponta a pesquisa Onda Jovem na Escola (www.ondajovem.com.br), que inspira a pauta desta edição.

“Em geral, o jovem gosta da escola, mas não se interessa pelos estudos”, afirmam os professores. Para eles, esse desinteresse tem várias causas, desde condições complexas, como a falta de orientação vocacional dos estudantes, que desconhecem suas próprias potencialidades e as opções do mercado de trabalho – o que os impediria de ver relação entre o que estudam e a vida profissional futura –, até situações operacionais, como o mau funcionamento das bibliotecas, que dificulta o acesso à leitura, ainda que já não faltem livros na maioria das escolas. Embora se sintam solitários em suas empreitadas, muitos professores têm procurado falar na mesma sintonia que os jovens, lançando mão, por exemplo, de recursos tecnológicos.

E há iniciativas em diversas direções que podem inspirar educadores com experiências semelhantes. Compartilhar as dificuldades e trocar informações com outros professores em salas de bate-papo ou fóruns virtuais pode ser um bom começo. No portal EducaRede, especializado em ações para aprimorar o uso educativo da Internet na rede pública de ensino, educadores podem criar uma Comunidade Virtual de Aprendizagem.

Em uma escola pública de ensino médio em Inhumas, Goiás, a dinamização da biblioteca por meio do projeto Minutos de Leitura disseminou a leitura como meio de lazer e cultura e, também, estratégia para aproximar os alunos dos estudos. Já o projeto Tonomundo aposta no melhor uso da tecnologia em projetos educacionais, como um rali virtual pela Amazônia, compartilhado por estudantes de diferentes regiões do Brasil, a partir de comunidades virtuais de escolas.

Por fim, no programa E-Tec, recém-criado pelo governo federal, a escola é capacitada a encaminhar a profissionalização de estudantes de ensino médio por meio de um curso a distância, aproximando o jovem aluno do universo das profissões. Conheça, a seguir, mais detalhes desses projetos.



Comunidade Virtual de Aprendizagem do Portal EducaRede (Brasil)

 
 
   

"Umas das principais características da Internet é o trabalho em rede e, quando se trabalha em rede, a aprendizagem é potencializada”, diz a editora do portal EducaRede, Jaciara de Sá Carvalho, justificando o estímulo estratégico dado pelo portal à criação de redes com o projeto Comunidade Virtual de Aprendizagem, criado em 2004. “O Comunidade é uma das ações do programa EducaRede, iniciativa social da Telefônica presente em vários países. No Brasil, o principal foco do portal é o desenvolvimento de projetos para aprimorar e expandir o uso pedagógico da Internet na rede pública de ensino”, explica Jaciara. No espaço virtual, voltado a professores e alunos do ensino fundamental e médio, há várias ferramentas interativas, como fóruns, salas de bate-papo e oficinas, também presentes nas comunidades virtuais de aprendizagem. São hoje 35 comunidades no portal, como a “Avisa Lá Comunidade de Formadores”, criada no início deste ano. “É nosso espaço para integração profissional e socialização. Trocamos informações, vídeos e outros materiais de uso educativo”, diz uma das educadoras integrantes da rede, Silvana Augusto. O grupo se originou num centro de formação de professores e, segundo Silvana, encontrou na comunidade do EducaRede o ambiente ideal para dar prosseguimento às trocas profissionais, aprendizados e relações sociais. “A iniciativa estimulou a formação de outras comunidades, como a de coordenadoras pedagógicas que atuam em escolas públicas e também de professores que trabalham com crianças”, diz Silvana.



Projeto Minutos de Leitura, da biblioteca do Centro de Ensino Médio Manoel Vilaverde – Inhumas, GO

 
 
   

No fim de 2001, por meio de um programa estadual de incentivo à leitura, o Colégio Estadual Manoel Vilaverde (CEM), escola de ensino médio em Inhumas (GO), ganhou para a sua biblioteca, a Domingos Garcia Filho (BDGF), mais de 1.300 obras e, também, mobiliário novo. Foi o cenário perfeito para a bibliotecária Maria Aparecida Rodrigues de Souza, que assumia a unidade naquele ano, dinamizar o uso da biblioteca com vários projetos, entre eles o Minutos de Leitura, desenvolvido em parceria com os professores de todas as disciplinas. “O objetivo é promover a interdisciplinaridade escolar e, ao mesmo tempo, disseminar a leitura como meio de lazer e cultura”, explica Cida Rodrigues. As atividades incluem bate-papo com escritores, oficinas literárias, apresentações teatrais, recitação de poesia e contação de histórias, painéis de resenhas de livros recomendados por professores e pelos melhores leitores do bimestre. “Na hora do recreio, a gente faz exposição de títulos da biblioteca, de leitura rápida, como gibis e revistas. Esse minuto de leitura serve de aperitivo, depois os alunos vão para a biblioteca ler mais”, conta Cida, que também fez com alunos um projeto de jornal escolar. “Eles já fizeram 23 edições do Cemsura (www.cemsura.zip.net)”, conta Cida, que saiu da escola este ano, mas fez propostas para a continuidade do projeto. “Os cadastros da biblioteca subiram de 300 para 800, além da aproximação dos alunos com os professores. E o primeiro passo foi simples: bastou tirarmos as portas das estantes para o aluno ver, manusear e conhecer os livros”.



Projeto Tonomundo - Brasil

 
   

O Tonomundo vai além de um projeto de inclusão digital baseado na instalação de laboratórios de informática em escolas parceiras. A iniciativa busca realizar o sonho de todo professor: seduzir o jovem aluno com um projeto educacional estimulante, a partir do melhor uso da tecnologia. Criando comunidades virtuais de escolas, o Tonomundo integra a instituição de ensino, a família e a comunidade em projetos de saber colaborativos. O professor recebe capacitação no uso pedagógico das ferramentas tecnológicas e se torna um agente formador. O jovem é o centro de todo o processo. “Porque ele aprende pelo olhar de outro jovem”, diz Samara Werner, diretora de educação do Instituto Oi Futuro, que desenvolve o projeto em parceria com a Escola do Futuro do Núcleo de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Exemplos? Numa atividade recente do projeto, o Rali da Amazônia, jovens estudantes amazonenses ensinaram a alunos de outros estados o que é a Amazônia. “Num ambiente virtual, eles criaram um jipe que ia passeando pela região”, conta Samara. Em uma cidade da Paraíba, alunos participantes do projeto pesquisaram a cultura do maracujá e criaram um programa de aprendizado para os agricultores locais, que cultivam a fruta. E jovens brasileiros e canadenses, participantes da atividade Fire & Ice, também trocaram informações sobre a vida num ambiente quente e num ambiente frio. “Agora, o Tonomundo está chegando a Moçambique, cujos estudantes poderão interagir com brasileiros”, diz Samara.



Escola Tecnológica Aberta do Brasil (E-Tec) – Brasil

 
   

Educação de qualidade e capacitação profissional estão entre as principais demandas dos jovens brasileiros nas pesquisas recentes sobre juventude. Sem essa dupla qualificação, é cada vez mais difícil para as novas gerações fazer frente às exigências do mercado de trabalho. É nesse contexto que se insere a Escola Tecnológica Aberta do Brasil – E-Tec, programa recém-iniciado pelo governo federal para levar ensino profissionalizante ao estudante do ensino médio. O programa é feito na modalidade de curso a distância, uma opção para tentar responder ao desafio de universalizar o atendimento. “Queremos repetir o sucesso do Universidade Aberta com os alunos do nível médio”, diz um dos coordenadores do programa, professor Helio Chaves Filho, diretor do departamento de Políticas de Educação a Distância da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação. “Com o curso a distância, podemos cobrir as periferias das grandes cidades”, diz o coordenador. O curso tem duração de um ano e meio a dois anos, e a capacitação profissional varia de acordo com os arranjos produtivos locais. Um primeiro edital do programa já foi lançado, gerando dois grupos de pólos de atendimento para atingir 50 mil alunos em 2008. Um grupo começou a funcionar em março, o outro passará a ofertar o curso a distância a partir de agosto. “A meta é colocar em funcionamento, a cada ano, 250 pólos para atender 50 mil alunos. Até 2010, queremos ter 250 escolas ofertando o programa por ano”, diz Helio Chaves Filho.