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Ser o autor e o ator no teatro da vida pressupõe escolhas - e leva à ação. Não por acaso, dois reconhecidos programas de formação juvenil têm essas palavras em seus nomes. Um deles é o Jovens Escolhas em Rede com o Futuro, do Instituto Credicard (braço social das empresas Credicard Administradora de Cartões de Crédito e Orbital Serviços de Processamento de Informações Ltda.), que estimula o empreendedorismo juvenil, não apenas no sentido econômico, mas nas diversas dimensões da vida - cultural, social e pessoal. O outro programa é o Jovens em Ação, iniciativa da Aracati - Agência de Mobilização Jovem e da Ashoka Empreendedores Sociais, que apóia os participantes na elaboração e implementação de um projeto social em sua comunidade, com ênfase no protagonismo juvenil. Ambos servem como âncoras para variados projetos de ONGs espalhados pelo Brasil.
Os dois programas têm como princípio resguardar a autonomia dos projetos participantes. Educadores, facilitadores e instituições coordenadoras fornecem o conjunto de conhecimentos e ferramentas necessários para que os jovens desenvolvam um plano de ação, de modo a transformar seus anseios em realidade. Os grupos discutem e planejam o que e como fazer, não só para eles, mas também para os que estão fora da organização.
"No exercício da participação social, a juventude se apropria do que a cerca, adquire uma postura pró-ativa em relação a tudo, diz Carla Duarte, uma das fundadoras da Aracati. "Isso promove a autonomia, a autoestima, o autoconhecimento, a reflexão sobre valores que vão ajudar na elaboração de um projeto de vida", completa Paulo Gonçalves de Freitas, coordenador do Jovens em Ação. "Em áreas de interesse diversas, como arte, comunicação, cultura, meio ambiente, desenvolvimento local e economia solidária, o pano de fundo é sempre elaborar e realizar um projeto de interesse público e coletivo", diz Silvia Esteves, coordenadora do Jovens Escolhas. "A metáfora em questão é a construção do próprio projeto de vida", conclui. Veja a seguir quatro dos projetos apoiados pelos referidos programas. |
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Projeto O Ato, a Rua, a Lua, na ONG Humbiubi
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Na tradição angolana, Humbiumbi é um pássaro que voa alto e chama os outros pássaros para voarem juntos, tão alto quanto ele. Em Belo Horizonte, Humbiumbi - Arte, Cultura e Educação é uma ONG que dá a um grupo de jovens a possibilidade de alçar vôo.
No Centro Cultural Maria Lívia de Castro, onde a Humbiumbi desenvolve suas ações, 40 jovens se reúnem no projeto O Ato, a Rua, a Lua, participante do programa Jovens Escolhas em Rede com o Futuro, do Instituto Credicard. A proposta é desenvolver o potencial juvenil por meio da educação pela comunicação e promover o empreendedorismo social desses jovens.
A produção de programas de rádio (veiculados por rádios comunitárias) e de fanzines (revistas temáticas), além de oficinas de leitura e interpretação crítica da mídia estão entre suas atividades. As práticas são formas de capacitação profissional, mas não é isso o fundamental, segundo o coordenador, Paulo Emílio Castro Andrade. "O mais importante é o processo de participação, discussão, construção. No fazer ("o ato") eles vão entendendo o que é a criação de um projeto de vida." Eles têm um sonho ("a lua") para ser concretizado na comunidade ("a rua"). Em 2004, os jovens elaboraram planos de ação nas áreas de cultura, educação, saúde e esporte e lazer. Agora, as metas são implantar os planos de ação e triplicar o número de participantes - para que muitos mais possam voar, cada vez mais alto.
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Projeto Incentivadores de Consciência Jovem, na ONG Curumim
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Eles ainda são poucos e não têm muitos recursos. Mas o grupo Incentivadores de Consciência Jovem, ligado à ONG Curumim, de Atibaia (SP), não deixa a peteca cair. Querem criar um Centro de Juventude em uma região da periferia da cidade, onde a juventude não tem espaço nem acesso às atividades de cultura, lazer e informação. Cerca de dez jovens, muitos deles já atendidos desde criança na Curumim, sentiram necessidade de um projeto mais específico para a juventude e se mobilizaram para isso.
Em 2003, passaram a participar do programa Jovens em Ação, da Aracati - Agência de Mobilização Jovem. O pequeno grupo e suas propostas ganharam contornos mais definidos. A meta de criar o Centro de Juventude não ficou no papel, elaboraram os passos para atingir esse objetivo, da captação de recursos ao tipo de atividade que pretendem promover com a comunidade. Fizeram, por exemplo, uma parceria com uma pizzaria da região: o grupo fornece cardápios de papel reciclado e a pizzaria dá metade da renda obtida em uma noite por mês. Uma tentativa de obter espaço em uma antiga estação de trem onde funcionava uma escola municipal fracassou. Mas eles tocam seus eventos onde é possível - como uma tarde de hip hop em uma escola estadual que abre nos fins de semana para o programa Escola da Família.
Outras atividades, como palestras, oficinas de teatro, hip hop, capoeira e dança, estão nos planos. "São eles mesmos que definem as ações, o educador só facilita. Querem um centro para jovens feito pelos próprios jovens. Acreditam que podem fazer algo de bom e com isso mudar a visão, em geral negativa, que se tem da juventude da periferia", diz a pedagoga Ana Luisa Dalbergaria, educadora do projeto.
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Projeto Gritos Urbanos, no Espaço Cultural Beija-Flor
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Imagine o antigo Programa Livre que o apresentador e jornalista Serginho Groisman comandou na TV aberta até o fim dos anos 90. Agora coloque a tônica do programa - jovens se expressando, trocando informações, debatendo - num dos bairros mais periféricos de Diadema, São Paulo. O que você vai ver e ouvir são os Gritos Urbanos.
Esse é o nome do projeto realizado pela Fundação Criança em Risco - CARF (Children At Risk Foundation) Brasil, do programa Jovens em Ação, promovido pelas ONGs Aracati - Agência de Mobilização Jovem e Ashoka Empreendedores Sociais. No Espaço Cultural Beija-Flor (ECBF), inaugurado em 2001 pela CARF Brasil no bairro Eldorado, de Diadema, no ABC, 20 jovens empreendedores comunitários, trabalhando com 18 jovens bolsistas multiplicadores, além dos voluntários, promovem alternativas de comunicação social com o uso de diversas linguagens artísticas - música, vídeo etc. - e muita interação e debate com o público. A idéia é realizar o programa a cada dois meses e trazer a juventude para participar ativamente.
A escolha do tema para o primeiro programa realizado já diz muito sobre o "pensar no futuro" dos envolvidos: Vidas - faces e forças de um povo. É uma tentativa de refletir sobre "como é a vida de um brasileiro que luta para ser bem-sucedido, que consegue isso, ou não consegue, e por quê", explica Djalma dos Santos, monitor de percussão do ECBF e participante do projeto. É, também, uma forma de "abrir caminhos diferentes para aqueles que não têm acesso, além de proporcionar atividades socializadoras, desenvolvendo iniciativa, respeito, criatividade, tolerância, espírito de equipe e de liderança", diz Gregory John Smith, fundador da CARF Brasil.
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Projeto Ater Jovens, do MOC - Movimento de Organização Comunitária
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Quando concluiu o ensino médio, Daniela Mercês Queiroz, hoje com 19 anos, achava que sua única opção era sair da região sisaleira da Bahia, onde nasceu e cresceu, e cursar uma faculdade. A participação em um projeto do MOC - Movimento de Organização Comunitária -levou-a a encontrar outras perspectivas.
O MOC atua na região do semi-árido baiano há 37 anos, com vários grupos etários. Um de seus projetos é voltado para a faixa de 16 a 20 anos: o Ater Jovens, cujo objetivo é formar empreendedores rurais na linha de assistência técnica e convivência com o semi-árido, integrante do programa Jovens Escolhas em Rede com o Futuro, do Instituto Credicard. Com uma programação de oficinas, viagens de intercâmbio, pesquisas etc., os 47 participantes aprendem sobre agricultura familiar, segurança alimentar, agroecologia e cooperativismo, entre outros temas.
A capacitação não é só técnica. "Inclui compreender o universo do desenvolvimento sustentável, das políticas públicas, das relações sociais e de gênero, da dimensão da juventude rural", diz o antropólogo Márcio Mascarenhas, coordenador do Ater. A valorização da atividade rural unida ao princípio de empreendedorismo juvenil com valores de cidadania, solidariedade e visão crítica do mundo, repercute nos projetos de futuro dos participantes.
A promoção da cultura e de oportunidades de trabalho mudam a idéia de que, para realizar-se, o jovem tem de sair de sua terra. Eles percebem, como aconteceu com Daniela, que é possível viver na roça e transformá-la; estar perto de seus pares e alcançar seus objetivos sem deixar o campo. |
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