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Por José Pastore
A geração de empregos depende de vários fatores. Três deles são essenciais: crescimento econômico sustentado, educação de boa qualidade e legislação realista. O Brasil está mal em todos. O crescimento econômico tem sido anêmico, o ensino continua precário, e a legislação trabalhista está defasada em relação às novas modalidades de trabalho.
Ao mesmo tempo, existe um potencial imenso para gerar empregos no Brasil. Aqui, tudo está por ser feito. Superados os constrangimentos macroeconômicos e os problemas da educação e da legislação, o Brasil pode se tornar uma verdadeira usina de empregos.
Veja o caso da infra-estrutura. Apesar de seu tamanho continental, o Brasil tem apenas cerca de 150 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Isso não é nada. A Austrália tem 250 mil, a Itália 300, o minúsculo Japão dispõe de quase 800, sem falar nos Estados Unidos, com mais de 5 milhões de quilômetros. Haverá uma enorme demanda de trabalho para construir e manter as estradas de que o país precisa. O mesmo pode ser dito para edificar os 12 milhões de moradias de boa qualidade que hoje estão faltando e para erguer as hidrelétricas que são essenciais para o crescimento da economia.
Tudo isso cria muitos postos de trabalho. O Brasil já é uma superpotência agrícola e se destaca em setores de ponta, como é o caso da fabricação de aviões. Nossa capacidade exportadora tem crescido a passos largos, revelando que os produtos brasileiros são respeitados no exterior.
Outros setores têm igual potencial. Os campos do turismo, educação, saúde e o cuidado de crianças e idosos são ótimos nichos. Tais atividades dependem mais do contato humano do que de máquinas.
As máquinas, por sua vez, tornaram-se baratas e inteligentes e substituem os seres humanos em várias tarefas. Mas elas têm dois efeitos sobre o emprego. De um lado, elas destroem postos de trabalho. Onde entra a máquina sai o trabalhador. De outro, elas elevam a produtividade, aumentam os lucros e estimulam novos investimentos e geram novos empregos.
O principal efeito das tecnologias é o deslocamento da mão-de-obra de um setor para outro. Nos próximos 20 anos, a indústria e a agropecuária empregarão menos gente, e o comércio e serviços empregarão muito mais. Dentro de cada setor, haverá exceções. Na indústria, crescerá a demanda por trabalho na construção civil e de infra-estrutura. Na agropecuária aumentarão as oportunidades para quem lida com meio ambiente, jardinagem, paisagismo e animais domésticos. No comércio e serviços diminuirá a demanda por aqueles profissionais que podem ser substituídos pelas tecnologias da informática: almoxarifes, controladores, telefonistas, caixas e outros do mesmo gênero.
O quadro potencial do Brasil em matéria de emprego é animador. Mas, para tanto, teremos de crescer de forma contínua, melhorar a educação e modernizar a legislação.
Você que é jovem deve estar perguntando: mas enquanto isso não acontece, o que será da minha vida?
Convém saber que o mundo no qual você vai trabalhar está passando por uma verdadeira revolução. A velocidade das inovações tecnológicas é meteórica. Os equipamentos e processos que surgem hoje serão obsoletos amanhã. Para acompanhar essa velocidade de mudança não basta ser adestrado. É preciso ter formação - e boa formação. A boa formação é aquela que dá ao ser humano a autonomia para crescer, a que injeta nas pessoas o vírus da curiosidade, que as leva a explorar o desconhecido o tempo todo, lendo intensamente não só sobre a sua profissão mas também sobre as profissões afins. O mercado de trabalho está se tornando cada vez mais exigente. As empresas não contratam diplomas, currículos ou recomendações. O tempo do pistolão e do apadrinhamento acabou. As empresas querem respostas, por isso contratam profissionais curiosos, com capacidade de apreender continuamente. Daí a importância da boa formação.
Você que é jovem, leve isso em conta. Quando o professor pedir para ler um livro, leia dois. Quando pedir dois, leia quatro. Crie o hábito de estudar por conta própria. Aproveite todos os momentos de folga para aprender, aprender e aprender. Se o emprego está difícil para quem estuda, imagine as dificuldades para quem vive nas trevas. Portanto, defina sua meta e procure ficar sempre acima da média da classe.
O mercado de trabalho tem sido rigoroso também em matéria de conduta. Não basta dominar os conhecimentos da sua profissão. Você precisa gostar do que faz. E fazer tudo com carinho, zelo, perseverança e comprometimento. Se você trabalhar como empregado, os seus supervisores estarão de olho no seu modo de encarar suas tarefas. Se você trabalhar por conta própria, os seus clientes esperam competência, atenção, cordialidade e demonstração de que você faz o seu serviço com prazer. O mundo do futuro estará cada vez mais atento às condutas e aos hábitos dos profissionais. A ética no trabalho está tendo um papel crescente. Você tem de mostrar que é um profissional responsável e que cultiva sua reputação.
Educação de boa qualidade será o ingrediente fundamental para elevar a empregabilidade dos jovens. É claro que o mercado tem de abrir novas oportunidades para as pessoas trabalharem. Educação não gera empregos diretamente. Mas a existência de profissionais bem preparados atrai investimentos e estes, sim, geram empregos. Eis a relação entre educação e emprego. Na era da globalização as empresas procuram se localizar ou executar suas atividades nos países onde há energia abundante, instituições confiáveis e profissionais bem formados e responsáveis.
Quem se preparar bem sairá na frente. Portanto, não desperdice um minuto do seu tempo. Acenda em você mesmo a chama da obsessão para aprender continuamente. Estude com afinco para confiar em você mesmo e com isso despertar a confiança de quem vai utilizar os seus conhecimentos.
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